Homeopatia: Memória da água existe?

Recomenda-se fortemente que se leia os seguintes posts antes:

Efeito Placebo 1 e 2 e Entrevista com Edvard Ernst

Atualmente homeopatas modernos utilizam-se de ferramentas filosóficas e científicas para tentar provar a veracidade dos mecanismos da homeopatia. Uma delas é a “memória” da água, a qual tem tido bastantes controvérsias, visto até um laureado com o prêmio Nobel defender sua existência. Mas, será que é verdadeira?

Uma breve história da homeopatia

A homeopatia foi inventada por Samuel Hahnemann no final do seculo XVIII. Hahneman desenvolveu seus princípios da homeopatia a partir de “leis” que naquela época acreditava (pois não há qualquer evidência de que tenha passado por experimentos científicos para prová-las). Logo, não é de se esperar que mais de 200 anos mais tarde o progresso científico não validou qualquer das idéias de Hahneman (Câmara dos Comuns).

O conhecimento científico se autoconstrói e quando alguém descobre uma propriedade fundamental da natureza, leva a posteriores descobertas e a um entendimento mais aprofundado. Na “lei dos similares” de Hahneman há a noção de que “semelhante cura semelhante” – uma pequena dose de uma substância irá curar qualquer sintoma que ela possa causar em altas doses (por exemplo: se você tiver com sintomas de um resfriado simples, como coriza transparente, lacrimejamento e irritação nos olhos e dificuldade respiratória, o homeopata pode prescrever uma ultradiluição à base de cebola, pois a mesma causa os mesmos sintomas quando ingerida).

A “leis dos infinitesimais” de Hahneman é a noção de que uma substância se torna mais potente à medida que é diluída, violando a leis da ação das massas e da química. Além disso, muitos homeopáticos são diluídos além do ponto onde uma única molécula da substância original pode ser encontrada. Hahneman acreditava que a água retinha uma “essência” mágica da substância, fazendo da homeopatia um sistema de crença vitalista.

Uma recente vertente da pseudociência causou o ressurgimento do interesse na homeopatia, levando a muitos testes clínicos sobre sua efetividade para doenças específicas. Após centenas de estudos clínicos, revisões sistemáticas revelaram que os homeopáticos possuem efeito, no máximo, igual ao placebo (isso é, em geral, não há nenhum “efeito homeopatia”) (Ernst, 2010).

Memória da Água

Defensores modernos da homeopatia têm desesperadamente tentado justificar a homeopatia com explicações que soam científicas, mas por fim acabam fracassando. Uma das tentativas é a noção de que a água tem memória – logo, pode se lembrar dos aspectos físicos das propriedades químicas de susbtâncias que foram diluídas nela.

A noção da memória da água surgiu pelo homeopata francês Jacques Benveniste em 1988. Ele não estava estudando a estrutura da água em si, mas tentava monstrar que a água podia reter a memória de anticorpos e outras susbtâncias diluídas nela. Sua pesquisa, porém, foi completamente desacreditada devido às muitas falhas metodológicas, à seleção dos dados a serem analisados, estatística imprópria e dados repetitivos que apontavam  manipulação dos dados (Scrimgeour, 2007).

O cientista de materiais Rustum Roy, apaixonado pela cura espiritual, a partir da pesquisa de Benveniste, afirmou que as moléculas de água são como tijolos – elas podem ser utilizadas para construir estruturas complexas e reter informação maiores que as propriedades químicas de seus solutos.

Porém, a evidência não apoia essa afirmação. As moléculas de água formam pontes transientes com outras moléculas de água, criando uma ultraestrutura maior – porém essa estrutura possui uma vida extremamente curta. Não são permanentes. De fato, pesquisas mostram que as moléculas da água dispersam de modo eficiente a energia provinda dessas ligações, fazendo-as extremamente efêmeras. Um artigo científico concluiu: “Nossos resultados destacam a eficiência da redistribuição da energia dentro da rede conectada pelo hidrogênio, e a água líquida perde essencialmente a memória de correlações persistentes em sua estrutura em 50 fs” (Cowan, 2005). Isso é 50 fentossegundos, ou 0,00000000000000000050 segundo. Contrário à afirmação de Roy, a água não mantém sua memória. Os cientistas podem argumentar se a água pode exibir um retardo na ultraestrutura por um período maior que fentossegundos sob certas condições – porém ainda assim é uma fração incrivelmente pequena de um segundo.

Recentemente o prêmio Nobel Luc Montagnier deu um novo suspiro de vida à “memória da água”, publicando uma série de experimentos nos quais DNA altamente diluído na água pode gerar sinais de rádio (Montaigner, 2009). Existem vários problemas com esses estudos. O primeiro deles é que o método de estudo de Montaigner é risivelmente incorreto (ver Myers, 2011). Montaigner utilizou um equipamente de detecção de sinais crus ligado a um computador, gerando resultados que escondem e mascaram os ruídos (de fundo com aquilo que se procura). Seus estudos foram inúteis (e, não surpreendentemente, não foram replicados por outros laboratórios), porém isso não impediu os homeopatas de clamar sua eficácia.

Logo, não temos nenhum mecanismo plausível e nenhuma evidência de que a água possa formar ultraestruturas, biologicamente falando, por longos períodos de tempo. É incrível como Roy, Montaignier e outros extrapolaram a noção de que a água pode ter uma “memória” por um tempo tão longo quanto se imagiva (de fato um tempo infinitamente menor que imaginavam) na tentativa de explicar a efetividade biológica da homeopatia.

Pensado um pouco a mais, se a “memória” da água é a explicação para a homeopatia, então a estrutura “memorizada” poderia sobreviver não somente naquela amostra de água, mas na mistura física da água em outras águas (a memória de uma água influenciaria a outra). Na lógica, essas águas deveriam transferir suas estruturas, como um molde, às moléculas de água nas redondezas. E isso deveria se repetir ao longo das muitas diluições. Portanto, essas estrutras deveriam, necessariamente, sobreviver à transferência quando essa água é transformada numa pílula de açúcar (muitos homeopáticos são preparados a partir de uma gota de água gotejada numa pílula de açúcar).

Essa estrutura “memorizada” da água deveria, então, de ser transferidas para as moléculas de açúcar antes da água evaporar. Essa pílula então será guardada num armário por dias, meses ou anos antes de ser finalmente consumida por um “paciente”. A pílula de açúcar será quebrada, diluída e misturada pelo sistema digestório, e as moléculas de açúcar serão então digeridas e absorvidas para a corrente sanguínea e então distribuída a todos os tecidos do corpo.

Presumivelmente, qualquer molécula que retenha essa dita ultraestrutura (“memória”) deve sobreviver a todos esses processos (e não incorporar mais nenhuma nem destruir a própria memória) para atingir o órgão no qual exercem seus efeitos biológicos.

Invocar a memória da água como uma explicação para os efeitos homeopáticos adiciona somente alguns tijolos mágicos à noção da homeopatia: não oferece uma explicação plausível mesmo se a teoria da memória da água for plausível, a qual não o é.

Algumas ligações químicas, provindas de medicamentos testados e que possuem efetividade maior que o placebo, são fortes o suficiente para sobreviver a esse processo intactas, alcançando seus alvos teciduais e se ligando a receptores ou sofrendo interações químicas. Mesmo os químicos mais comuns não conseguem efetuar esse caminho mantendo sua atividade química intacta – e é por isso que a biodisponibilidade de muitas drogas importantes são muito baixas para serem utilizadas oralmente (nesse caso utiliza-se outra via, como as injeções intramusculares, para alcançar mais rapidamente a corrente sanguínea sem que se tenha muita perda do medicamento). Os químicos são simplesmente quebrados pelo processo digestório. Em outras palavras, as ligações efêmeras da dita “memória” da água – se é que existem na prática – deixariam sua biodisponibilidade em zero.

Conclusão

A noção da memória da água é nada mais que uma reinvenção das idéias de Hahneman sobre a transferência da “essência vital” de substâncias a outras substâncias. A memória da água não possui qualquer ciência envolvida, sendo, no máximo, implausível.

Referências

Cowan M.L., B.D. Bruner, N. Huse, et al. 2005. Ultrafast memory loss and energy redistribution in the hydrogen bond network of liquid H2O. Nature 434 (March 10):199–202. doi:10.1038/nature03383.

Ernst, E. 2010. Homeopathy: What does the “best” evidence tell us? The Medical Journal of Australia 192(8) (April 19): 458–60.

Câmara dos Comuns: Comitê de Ciência e tecnologia. Evidence check 2: Homeopathy. Available online at www.publications.parliament.uk/pa/cm200910/cmselect/cmsctech/45/45.pdf.

Myers, P.Z. 2011. It almost makes me disbelieve that HIV causes AIDS. Pharyngula (January 24). Available online at http://scienceblogs.com/pharyngula/2011/01/it_almost_makes_me_disbelieve.php.

Montagnier L., J. Aissa, S. Ferris, et al. 2009. Electromagnetic signals are produced by aqueous nanostructures derived from bacterial DNA sequences. Interdisciplinary Sciences: Computational Life Sciences 1(2): 81–90.

Scrimgeour, H.J. 2007. Water memory tests all wet: A reassessment of the Benveniste experiments by a DVM. Association for Science and Reason (August 8). Available online at www.scienceandreason.ca/pseudoscience/alternativemedicine/water-memory-tests-all-wet/.

Fonte (com alterações): http://www.csicop.org/si/show/the_memory_of_water

Steven Novella é professor assistente de neurologia na Faculdade de Medicina da Universidade de Yale. Ele é convidado do The Skeptics’ Guide to the Universe, um podcast semanal de ciência. É autor do the NeuroLogica blog e president da The New England Skeptical Society

Sobre Gabriel Bassi

Natural de São Paulo, Capital. Formado em Fisioterapia pela USP de Ribeirão Preto, faz mestrado em Psicobiologia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP). Faz pesquisas nas áreas de neurologia, imunologia e comportamento animal. Tem interesses (extra-acadêmicos) em pesquisas sobre a evolução cultural, econômica e social de distintos aspectos da religião e da religiosidade nas sociedades.

Publicado em 05/10/2011, em crenças, Efeito placebo, homeopatia, Pseudociência em universidades, racionalismo. Adicione o link aos favoritos. 13 Comentários.

  1. Nada contra quem usa homeopatia e se cura, problema é que estão vendendo agua muito caro.

  2. Gabriel Bassi

    Então Francis, o problema é a enganação que se vende às pessoas. Aliás, homeopatia não cura. Não há qualquer relato científico (artigos bem feitos, com metodologia correta e estatística boa) de que a homeopatia tenha curado qualquer tipo de doença. Você jamais vai ver um relato científico da cura de câncer, infecção urinária ou diarréia por meio da homeopatia (pode até ter, mas há erros metodológicos graves).

    E nem é o valor do preço do homeopático em si, mas a falta de ética dos homeopatas. Só prá vc ter idéia do problema, Shaw (2010, 2011) e Ernst (2010) relataram que homeopatas do Reino Unido prescreviam placebo intencionalmente aos seus pacientes, sem qualquer consentimento, afirmando algo que não tinha qualquer evidência de comprovação.

  3. Fico a perguntar aos defensores da Sagrada Racionalidade Científica, se não estão tão dogmaticamente aferrados quanto os mais devotos e antiquados defensores das crenças religiosas. Não percebem que estão construindo uma nova religião? Não percebem que caçam as bruxas como os antigos inquisidores? E que amordaçam a realidade como fazem há séculos os papas das Igrejas?
    É mais importante uma comprovação técnica do que a realidade empírica? Conhecemos centenas de pessoas que se beneficiaram da Homeopatia enquanto não obtinham resultados com a alopatia. E é isso que incomoda a enorme corporação médico-farmacêutica, que ridiculariza e promove embustes para silenciar os hereges.
    Mas a verdade não pode ser silenciada. as pessoas continuarão buscando esses “curandeiros charlatães”, pois eles são indispensáveis à saúde humana!
    Existe cura sim com a Homeopatia, embora isso faça arrepiar os cabelos dos racionalistas dogmáticos de plantão!

  4. Gabriel Bassi

    Oi, Bruno, obrigado pelo retorno!
    Primeiramente não há religião alguma na ciência. A religião admite a fé sem a necessidade de comprovação. Isso é, você tem de acreditar naquilo, estando certo ou errado, dogmaticamente. Quanto à ciência, admitimos aquilo como verdade o que é comprovado como tal por métodos científicos. Porém, a ciência admite (logo, os racionalistas) que o que conhecemos como verdade científica hoje não necessariamente será verdade amanhã, não sendo algo dogmático, mas empírico. Continuaremos acreditando naquilo que a ciências racionais nos mostram, porque foi por meio dessas que aumentamos a longevidade e a qualidade de vida da população, melhoramos relações sociais, educacionais, etc. Se um dia a verdade for comprovadamente falsa, com certeza acataremos aquilo que as evidências nos mostram.

    Se algum dia a homeopatia realmente curar doenças e se seus mecanismos forem amplamente descobertos e comprovados pela ciência, eu humildemente acatarei essas evidências e admitirei que a homeopatia funciona, e quem sabe até me torne defensor de seu uso. Até lá, não há qualquer evidência de que a homeopatia cure qualquer doença nem algo que explique seu mecanismo de funcionamento (nem os próprios homeopatas possuem idéia de como poderia “funcionar”). E se você tiver qualquer comprovação de que a homeopatia realmente funciona, faço um apelo, mande-as para nós, compartilhe-a. Eu trouxe as evidências de que a homeopatia é falha e falsa, gostaria de saber o outro lado da opinião…

    E obrigado pelo comentário!

  5. O artigo é muito bem escrito, exceto pelo erro ao afirmar que “placebo” não tem afeito algum. A definição de um placebo se baseia na ideia de que este é uma substância farmacologicamente inerte, e não uma substância que “não causa efeito algum”. Já é sabido e bastante evidenciado os efeitos dos placebos.

  6. Gabriel Bassi

    Obrigado pelo puxão de orelha. Já corrigido

  7. Olá,
    Obrigado pela resposta e espero que seja realmente sincera a tua honestidade!
    Há inúmeros casos de cura em Homeopatia, o problema é que não há como reproduzi-los em grande escala segundo determinados padrões.
    Mas posso lhe indicar alguns estudos sérios dentro da ciência. Um deles do Dr. Luc Montagnier, Prêmio Nobel de medicina por ser um dos descobridores do HIV, intitulado “Dna waves and water”. Nesse estudo ele mostra como o DNA de alguns vírus e bactérias, em solução aquosa dinamizada, emite sinais eletromagnéticos, que são captados pela água e transimitidos posteriormente a outros tecidos.
    Em entrevista cedida por ele, defende a Homeopatia, embora reconheça que nem tudo está correto.
    Um estudo recente foi feito pelo Instituto Roberto Costa, em parceria com a UFRJ, demonstrando num estudo randomizado e duplo-cego, que crianças imunizadas com homeopatia são 4 vezes mais resistentes a gripe comum do que o grupo controle tratado com placebo.
    Caso haja o interesse genuíno posso fornecer as fontes.
    Veja, Homeopatia é ciência, embora eu concorde com você que nem todos os homeopatas saibam quais são os seus princípios nem porquê funciona. Mas como em todas as áreas existem os bons e os maus profissionais. Existem aqueles que estudam e os que reproduzem apenas.
    A verdadeira ciência deveria questionar sem preconceitos em busca da verdade, sem defesas de opiniões ou dogmatismos.

  8. Gabriel Bassi

    Olá, Bruno, obrigado pelo retorno. Vamos lá refutar os argumentos

    “Há inúmeros casos de cura em Homeopatia, o problema é que não há como reproduzi-los em grande escala segundo determinados padrões.”

    Nunca vi nenhum caso de cura publicado em revistas sérias e com metodologia correta (se tiver, envie o artigo para mim). Se não há como reproduzir os efeitos do homeopático em grande escala (isso é, só podemos reproduzir o efeito da homeopatia em pequenos grupos de indivíduos), será que não é mais um efeito psicossocial regional que um efeito real do homeopático?? Um medicamento farmacologicamente ativo faz efeito em qualquer tipo de pessoa, seja no Brasil ou em Tonga, se o homeopático não reproduz esse efeito em larga escala, então é inútil.

    “Um deles do Dr. Luc Montagnier, Prêmio Nobel de medicina por ser um dos descobridores do HIV, intitulado “Dna waves and water”. Nesse estudo ele mostra como o DNA de alguns vírus e bactérias, em solução aquosa dinamizada, emite sinais eletromagnéticos, que são captados pela água e transimitidos posteriormente a outros tecidos.”

    Nesse mesmo post foi demonstrado que o experimento do Luc Montaigner é falho (ver Myers, 2011). Aliás, se fosse verdadeiro, outros cientistas poderiam reproduzir seu experimento, o que nunca aconteceu. O Luc Montaigner errou grosseiramente em seu experimento, coisa que os homeopatas não divulgam.

    “Um estudo recente foi feito pelo Instituto Roberto Costa, em parceria com a UFRJ, demonstrando num estudo randomizado e duplo-cego, que crianças imunizadas com homeopatia são 4 vezes mais resistentes a gripe comum do que o grupo controle tratado com placebo.”

    Esse Instituto tem ligações com a Carla Holandino, que é homeopata, cujos artigos relacionados à homeopatia foram publicados em revistas próprias de homeopatia (Homeopatia, High Dilution Research, etc). Se a pesquisa foi publicada nesse tipo de revista, já vejo uma tendenciosidade…

    Veja, Homeopatia é ciência”
    Só seria ciência se fosse empírica, o que ela não é e nunca foi

  9. Você acha tendencioso um estudo duplo cego e randomizado?
    Veja, quando digo que os racionalistas são religiosos, é nesse sentido. Há uma recusa preconcebida, sem investigação genuína. Isso não é ser cientista. Isso é ser religioso, defender uma posição dogmática e refutar tudo o que possa “abalar” essa posição.
    A Homeopatia é totalmente empírica…você certamente conhece alguém que se beneficiou dela.
    Mais uma coisa:
    Freud desenvolveu a psicanálise sem a menor necessidade de comprová-la cientificamente. Você já viu algum artigo em alguma revista de renome a respeito da Psicanálise?
    E nem por isso ela é uma mistificação, um embuste. Possui uma metodologia própria, totalmente baseada na prática clínica.
    O mesmo acontece com a Homeopatia, que só não tem seus ensaios reproduzidos em laboratório porque os mesmos são financiados por grandes empresas, principalmente do setor farmacêutico. Quem iria obter lucro com medicamentos tão baratos quanto os homeopáticos?
    Acho que continuaríamos a discutir indefinidamente…só deixo um recado: não transforme a ciência numa religião dogmática, arraigada e preconceituosa. A caça às bruxas terminou.

  10. AINDA NÃO SEI O QUE PENSAR… MAS VOU SABER! GOSTEI DO DEBATE ACIMA. É ISSO QUE MOVE A CIÊNCIA!

  11. O que dizer da completa desorganização causada no organismo pelos medicamentos alopáticos? A indústria farmacêutica cura uma doença com seus remédios e causam outras muitas vezes piores nos pacientes. Essa indústria estremece só com a idéia de que a nova medicina corpo-mente seja finalmente explorada, melhor compreendida e popularizada, pois os prejuízos para os fabricantes de alopáticos serão astronômicos.

  12. Do jeito que o artigo é escrito parece que Hahnemann acordou um belo dia e resolveu fundar a Homeopatia apenas porque ele quis. Então a bem da verdade o artigo já começa mentindo dizendo que Hahnneman inventou a Homeopatia.Após essa inverdade fica difícil levar em conta o que o autor diz depois porque o viés de suas informações é medonho (quer coisa mais anticientífica ?). Samuel Hahnemann merece no mínimo o respeito histórico de ter sido um médico intrigado com os problemas de sua época e que procurou novas formas de medicar.Ele demorou cinquenta anos para fundamentar seus estudos, publicou dezenas de trabalhos científicos (mais talvez do que o inquisitor moderno), foi professor de medicina em universidade conceituada (Leipzig) onde entrou não por ser homeopata, era exímio tradutor (conhecia mais de seis idiomas), e químico sagaz. Não era uma pessoa qualquer portanto. Mas talvez a maior mentira foi de que não tenha feito experimentos científicos. Na verdade ele SÓ fez experimentos científicos. O seu domínio : anima nobili. O próprio ser humano, sadio. Como o autor deve saber a bioquímica dos animais é diferente do ser humano. Existem vias metabólicas neles que não em nós e vice-versa. Então a bem da verdade os experimentos em seres humanos são melhores (quando possíveis) do que aqueles com animais. Posto isso se o autor do artigo quiser pode testar nele mesmo a China e outras substâncias para sentir os seus efeitos e comprovar o que Hahnemann postulou. Não é disto que precisas : método ? O que Hahnemann disse foi de uma similitude no domínio SEMIOLÓGICO, que é o que se dispunha na época. Não fez mais porque não era possível mais naquela época. Como agem os anti-histamínicos atuais : Por similitude molecular, um dado da nossa época. E a Penicilina : Por parecer um dipeptídeo (o d-alanil-alanina) que as bactérias usam em suas paredes. Então o que Hahnemann fez foi só lembrar, já que Hipócrates o pai de toda a medicina dissera, de que o semelhante cura o semelhante. E não foi além do domínio semiológico, já que era um médico e cientista criterioso. Engana-se quem pensa que Hahnemann era a dado a flertes com o sobrenatural. Na verdade era de família protestante. Sobre a memória da água é certo que mais pesquisas precisam serem feitas. Agora como partir para verificar um efeito sem acreditar que ele existe ? Isto é o que move a ciência e a vida em geral. Se este autor tivesse vivido na época de Colombo provavelmente escreveria um post criticando o genovês por tentar um novo caminho para as Índias simplesmente porque ninguém havia ainda tinha feito aquele percurso. E os riscos que correria pois a Terra era quadrada como bem sabiam todos.

  1. Pingback: Problemas no Pensamento Pseudocientífico « Sociedade Racionalista USP

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