A Neurologia das Experiências de Quase Morte

Assunto infelizmente recorrente nos círculos acadêmicos brasileiros é a alegação que o espiritismo é uma ciência e/ou é comprovado por evidências científicas. Nossa própria USP-RP conta com um grupo de estudos em espiritismo e ciência, organizado por um estudante de medicina e uma estudante de enfermagem, que dentre outras coisas alega possuir evidências conclusivas da existência de espíritos. Apesar de alguns membros intrépidos da Sociedade Racionalista já haverem comparecido às reuniões, os organizadores até agora falharam em lhes mostrar as tais evidências.

escrevi sobre um grupo de pesquisa de uma universidade federal, o NUPES, que em suas publicações parece sempre chegar a resultados positivos sobre intervenções religiosas (uma sessão com um médium por exemplo). Porém, uma análise mais detida dessas publicações mostra que nenhuma investigação experimental controlada foi feita, que as conclusões são quase exclusivamente baseadas em estudos de caso ou revisões bibliográficas e que os supostos ‘efeitos positivos’ da intervenção religiosa são relatados de forma vaga e sem descrição quantitativa. No entanto a idéia que o NUPES parece querer passar fica sempre clara: (1) intervenções religiosas como cirurgias espíritas, consultas com médiuns, reza, etc, são eficazes; (2) a explicação sobrenatural destes fenômenos não pode ser completamente verificada mas é válida e não pode ser descartada. E de acordo com o coordenador do NUPES, Alexander Moreira de Almeida, existem até mesmo evidências de casos genuínos de mediunidade, reencarnação e experiências de quase morte.

No que diz respeito a mediunidade e reencarnação, não só não existem evidências de que esses fenômenos são genuínos como abundam confissões e evidências de fraude. Médiuns como Chico Xavier dizem ter canalizado espíritos de escritores e produziram como ‘prova’ livros de literatura e poesia que poderiam muito bem ter sido escritos por qualquer pessoa, mas nunca escreveram uma simples equação matemática ou química nem descreveram nenhuma teoria complexa que um ‘espírito matemático/cientista’ poderia estar trabalhando em um suposto mundo espiritual. O que é mais provável: que espíritos de cientistas/matemáticos não vão para o mundo espiritual ou que o médium não entenda nada de matemática/física/química para fabricar uma equação que possa enganar um cientista experiente? A fundação James Randi oferece um prêmio de 1 milhão de dólares a qualquer um que mostrar evidências de paranormalidade ou poder sobrenatural. Até hoje ninguém passou nem pelos testes preliminares.

Quanto às experiências de quase morte, o post seguinte, retirado do excelente blog Ceticismo Aberto, mostra que essas também não parecem ter nada de sobrenatural.

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astral projection ceticismo

Artigo de Alex Likerman, publicado em Happiness in this World
Traduzido por colaboração de Rodrigo Véras e André Rabelo

Eu nunca tive um paciente que confessasse ter tido uma experiência de quase morte (EQM), mas recentemente me deparei com um livro fascinante chamado O Portal Espiritual no Cérebro (The Spiritual Doorway in the Brain) de Kevin Nelson, que relata que cerca de 18 milhões de americanos podem ter tido uma. Se for verdadeé provável não apenas que alguns dos meus pacientes estejam entre eles, mas também alguns dos meus amigos. O que me levou a pensar: o que exatamente a ciência tem a nos dizer sobre a sua causa?

Que EQMs acontecem não está em disputa. A sequência e os tipos de eventos dos quais elas são compostas são suficientemente similares entre as pessoas que as relatam de tal forma que EQMs poderiam ser consideradas como algum tipo de síndrome, semelhante a uma doença sem causa conhecida. Mas apenas porque milhões de pessoas já viveram EQMs, isso não significa que a explicação mais comumente aceita para elas – que almas deixam os corpos e encontram deus ou alguma outra evidência de vida após a morte – esteja correta.

Afinal de contas, as pessoas interpretam erroneamente as suas experiências o tempo todo (uma ilusão ótica representando o exemplo mais básico). Sem dúvida, muitas pessoas que relatam EQMs são profundamente afetadas por elasmas, geralmente, mais como um resultado de suas interpretações das experiências (i.e., “a vida após a morte é real”) do que como resultado da experiência em si. Acontece que um número de observações reproduzíveis combinado com uma pitada de conjecturas gerou uma explicação neurológica inteiramente plausível para todos os casos de experiências que incluam EQM.

Em seu livro, Nelson comenta que normalmente 20% do fluxo sanguíneo é direcionado para o cérebro, mas que este fluxo pode abaixar para 6% antes de ficarmos inconscientes (e mesmo nesse nível, nenhum dano permanente será causado). Nelson ainda observa que quando nossa pressão sanguínea diminui demais e desmaiamos, o nervo vago (um longo nervo que se conecta com o coração) desloca a consciência para o sono REM – mas não totalmente em algumas pessoas. Um número de sujeitos parece ser suscetível ao que ele chama de “intromissão REM”.

A intromissão REM ocorre tipicamente, quando ocorre, na transição da vigília para o sono. Nelson descobriu em sua pesquisa que o funcionamento do mecanismo que alterna as pessoas entre o sono REM e a vigília tendeu a ser diferente naquelas que relataram EQMs. Nessas pessoas, ele descobriu que a mudança era mais propensa a “fragmentar e misturar” esses dois estados de consciência (o controle do nosso estado de consciência é localizado no nosso tronco cerebral e é precisamente regulado), fazendo com que essas pessoas exibam simultaneamente características de ambos. Durante a intromissão REM, as pessoas se viram paralisadas (“paralisia do sono”), totalmente despertas, mas experimentando luzes, sensações fora do corpo e narrativas surpreendentemente vívidas. Durante o sono REM, muitos dos centros de prazer do cérebro são estimulados também (animais que tiveram suas regiões REM danificadas perderam todo o interesse em comida e até em morfina), o que pode explicar os sentimentos de paz e unicidade também relatados durante EQMs.

centrifuge blackout ceticismo

A neurofisiologia também pode explicar o sentimento de estar se movendo através de um túnel, tão regularmente mencionado em EQMs. É bem sabido que pessoas experimentam uma “visão de túnel” imediatamente antes de desmaiar. Experimentos com pilotos girados em centrífugas gigantes têm reproduzido o fenômeno de visão de túnel, aumentando as forças G e diminuindo o fluxo sanguineo em suas retinas (a periferia da retina é mais suscetível a quedas na pressão sanguínea do que o seu centro, de tal forma que o campo de visão parece comprimido, fazendo cenas parecerem vistas dentro de um túnel). Quando óculos especiais que geram sucção foram colocados nos olhos dos pilotos para neutralizar o efeito de queda da pressão sanguínea da centrífuga, os pilotos perderam a consciência sem desenvolver o efeito da visão de túnel – provando que a experiência da visão de túnel é causada por uma redução no fluxo sanguineo dos olhos.

Talvez o aspecto mais intrigante das EQMs seja o quão costumeiramente elas estão associadas com experiências fora do corpo. Isso também, entretanto, trata-se de uma ilusão. Evidências de que experiências fora do corpo nada têm a ver com almas deixando corpos podem ser encontradas na observação de que elas também têm sido relatadas por pessoas acordando do sono, recuperando-se de anestesia, enquanto estão desmaiando, durante convulsões, durante enxaquecas e quando estão em altas altitudes (não há razão para pensar que as almas das pessoas estão deixando seus corpos durante nenhuma dessas situações não ameaçadoras para a vida).

Mas as evidências mais fascinantes de que experiências fora do corpo são fenômenos neurológicos vêm dos estudos feitos inicialmente na década de 1950 por um neurocirurgião chamado Penfield. Ele estava interessado em compreender como poderia distinguir tecidos cerebrais normais de tumores cerebrais ou “cicatrizes” que eram responsáveis por causar convulsões. Ele estimulou os cérebros de centenas de pacientes conscientes no esforço de mapear o córtex cerebral e entender aonde em nossos cérebros nosso corpo físico é representado.

Um paciente sofria de danos no lobo temporal e quando Penfield estimulou a região temporoparietal do seu cérebro, ele relatou ter deixado o seu corpo. Quando a estimulação parou, ele “voltou”, e quando Penfield estimulou a região temporoparietal de novo, ele deixou o seu corpo mais uma vez. Penfield também descobriu quando variava a corrente e a localização do estímulo, podia fazer os membros do seu paciente parecerem encurtados ou produzir uma cópia de seu corpo que existia ao seu lado!

Em o Cérebro Contador de Histórias (The Tell-tale Brain)V. S. Ramachandran descreve um paciente que teve um tumor removido da sua região frontoparietal direita e desenvolveu um “gêmeo fantasma” ligado ao lado esquerdo do seu corpo. Quando Ramachandran colocou água fria no seu ouvido (um procedimento conhecido como teste calórico de água fria, o qual estimula o sistema de equilíbrio do cérebro, conhecido por ter conexões com a região frontoparietal), o gêmeo do paciente se afogou, movimentou-se e mudou de posições.

Neurologistas têm reconhecido desde então que a região temporoparietal do cérebro é responsável por manter a representação de nossos esquemas corporais. Quando uma corrente externa é aplicada nessa região, ela para de funcionar normalmente e nossa representação do corpo “flutua”. Outras evidências de que esse fenômeno é uma ilusão vêm de experimentos nos quais as pessoas que tiveram experiências fora do corpo enquanto passavam do sono para a vigília eram incapazes de identificar objetos colocados no quarto depois que adormeciam, sugerindo fortemente que a imagem que viram deles mesmos dormindo nas suas camas era reconstruída em sua memória. Embora não exista ainda nenhuma evidência de que níveis baixos de oxigênio no sangue causem disfunção da região temperoparietal da mesma forma que uma corrente aplicada, esta permanece como uma hipótese testável e a explicação mais provável.

Em suma, embora longe de estar provada como uma explicação para o que realmente explica as EQMs, a hipótese da intromissão REM tem mais evidências para corroborá-la do que a idéia de que nós realmente deixamos nossos corpos quando a morte está à espreita.

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Mais informações sobre experiências de quase morte:

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Sobre André Luzardo

Holds a BSc in Mathematics from the University of Edinburgh. PhD researcher in Computer Science at City University London. Interested in computational models of Behaviour, Learning and Interval Timing. Skeptic activist. Follow me on Facebook @ndrluzardo. Matemático pela University of Edinburgh. Doutorando em ciências da computação na City University London. Pesquisador nas áreas de percepção temporal, aprendizado e modelagem computacional do comportamento. Ativista cético nas horas vagas. Siga-me no Facebook @ndrluzardo.

Publicado em 30/05/2011, em espiritismo, Experiências de quase morte, Pseudociência em universidades e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. 8 Comentários.

  1. Lucas Figueira

    Muito interessante seu post, e também outros sobre as ciências humanas, minha esposa é pedagoga e sempre questionei alguns pensadores, principalmente Piaget.

  2. Que bom que tu gostou Lucas! Se a gente não questionar esses pensadores então a coisa deixa de ser ciência e vira fé. O importante é que tu não questione a tua esposa!

  3. Parabéns pelo post, não sabia que já tinham conseguido estudar nesse nível o fenômeno…. interessante mesmo.
    Mas vamos olhar o outro lado: Em determinado momento você percebe/sente estar em um lugar diferente de onde seu corpo deveria teoricamente estar. Como você descreve isso?
    a) “Cara, descobri que eu sou suscetível à ‘intromissão REM’!”
    b) “Cara, descobri que eu consigo sair do meu corpo!”
    Pois é, daí surge a idéia de “experiência fora do corpo”. Então começa-se a perceber que o fenômeno ocorre quando você vai dormir e chamam de “sonho lúcido”; quando você faz determinada atividade religiosa e chamam de “experiência espiritual”, ou “projeção astral” ou algo do tipo; quando você está em coma e chamam de “experiência de quase morte”. A sensação é a mesma, mas cada um vai descrever de acordo com a situação em que ocorreu e seus conhecimentos pré-existentes. O importante não é nome que se dá e sim o que foi observado, mas isso só pode ser descrito por palavras que as vezes carregam a possibilidade de interpretação errada. ‘deixar nossos corpos quando a morte está à espreita’ (entre outras situações) e ‘intromissão REM’ são a mesma coisa, são reais, e agora pelo que vejo estão mais próximas de ter seus mecanismos neurológicos compreendidos.

  4. Como dito acima, vemos que esses estudos provam muita coisa, mas não excluem a existência de experiências fora do corpo, ou coisas similares. Vou citar alguns exemplos:
    “A neurofisiologia também pode explicar o sentimento de estar se movendo através de um túnel, tão regularmente mencionado em EQMs. É bem sabido que pessoas experimentam uma “visão de túnel” imediatamente antes de desmaiar.”
    Isso não diz que EQMs não existem. Pelo contrário. Ao desmaiar, a pessoa perde a consciência. Se a consciência reside no espírito, então isso acontece porque o espírito se desliga levemente do corpo, causando uma sensação semelhante às EQMs.
    “Evidências de que experiências fora do corpo nada têm a ver com almas deixando corpos podem ser encontradas na observação de que elas também têm sido relatadas por pessoas acordando do sono, recuperando-se de anestesia, enquanto estão desmaiando”
    Estes são exemplos de casos em que o espírito sai do corpo. O fato de que o espírito sai do corpo quando dormimos é vastamente comentado na literatura espírita. Por isso a sensação é semelhante a uma EQM. Isso só comprova cientificamente o que o espiritismo já dizia há 200 anos.
    “Um paciente sofria de danos no lobo temporal e quando Penfield estimulou a região temporoparietal do seu cérebro, ele relatou ter deixado o seu corpo.”
    Para todo fenômeno espiritual, há uma explicação física e científica. Tanto que Alan Kardec disse que “se o espiritismo algum dia contradisser a ciência, que deixássemos o espiritismo e ficássemos com a ciência”. O que vemos é que o espiritismo nunca contradiz a ciência. A ciência não pode provar tudo que o espiritismo diz, mas também não consegue provar que o espiritismo está errado. Contudo, cada vez mais a ciência vêm comprovando que o espiritismo estava certo em vários pontos, como nos casos citados acima. Certamente as pessoas que relatam ter deixado o corpo devem sofrer uma estimulação na região temporoparietal do seu cérebro. É só medir e comprovar. Nesse caso Penfield estimulou essa área do cérebro. Mas se ficar provado que esta área é estimulada sozinha num caso em que o paciente relata ter saído do corpo, então fica comprovado a ligação deste fenômeno espiritual com a estimulação física. E vale ressaltar que o fenômeno espiritual é a causa, enquanto o físico (a estimulação da região temporoparietal do cérebro) é o efeito. Um exemplo disso está em outro trecho do relato:
    “Nelson descobriu em sua pesquisa que o funcionamento do mecanismo que alterna as pessoas entre o sono REM e a vigília tendeu a ser diferente naquelas que relataram EQMs. Nessas pessoas, ele descobriu que a mudança era mais propensa a “fragmentar e misturar” esses dois estados de consciência (o controle do nosso estado de consciência é localizado no nosso tronco cerebral e é precisamente regulado), fazendo com que essas pessoas exibam simultaneamente características de ambos”.
    Ou seja, as pessoas que relatam EQM misturam os 2 estados de consciência, controlados por essa área do cérebro, o tronco cerebral. Porque estes 2 estados de consciência estariam misturados? Não seria pelo fato de o espírito ter deixado o corpo? Novamente, uma explicação científica para um fenômeno espiritual.
    Há alguns trechos em que a experiência é até interessante, e parece provar que o fenômeno espiritual não aconteceu, como neste caso:
    “Outras evidências de que esse fenômeno é uma ilusão vêm de experimentos nos quais as pessoas que tiveram experiências fora do corpo enquanto passavam do sono para a vigília eram incapazes de identificar objetos colocados no quarto depois que adormeciam, sugerindo fortemente que a imagem que viram deles mesmos dormindo nas suas camas era reconstruída em sua memória.”
    O argumento aqui é bom. Contudo, é apenas um caso isolado em que a pessoa não conseguiu ver os tais objetos, e este caso é também muito bem explicado na literatura espírita, o que podemos discutir em outra oportunidade. Mas e os inúmeros casos em que a pessoa viu coisas que estavam acontecendo ao seu redor? Como o caso do professor mineiro Eurípedes Barsanulfo, que na época da 2ª guerra foi, numa destas experiências fora do corpo, até a Europa, e quando voltou relatou fatos que só chegariam aos jornais 2 semanas depois, pois na época não havia internet. Como explicar isso? Este mesmo professor foi visto, por diversas testemunhas, em 2 lugares ao mesmo tempo. O seu corpo ficava adormecido na sala de aula, enquanto o espírito (neste caso, materializado) era visto em outro lugar. Os alunos até se acostumaram com estas “viagens”, e diziam: “Lá vai professor Eurípedes”.
    No entanto, eu reconheço que estes experimentos não são provas conclusivas dos fenômenos espirituais. E neste caso, poderíamos ficar discutindo eternamente quem estaria certo, sem nunca chegar a um consenso. Tudo isso que eu disse sobre o prof. Eurípedes, por exemplo, seria contra argumentado, pois nenhum de nós o conheceu, e poder-se-ia dizer que tudo não passa de uma invenção. Sempre ouço este tipo de coisa. Outro dia, conversando com um amigo, que é ateu, nós concordamos no quão ridículos são os argumentos que alguns evangélicos, que tentam inventar argumentos pra dizer que a teoria da evolução de Darwin está errada. Eles dizem, por exemplo: “Um cientista, em tal lugar, fez uma tal experiência, e provou tal coisa, o que comprova que a bíblia está correta”. É um argumento muito esquisito, parece que a experiência foi manipulada, ou dirigida pra um determinado resultado. Outro dia fui obrigado a ouvir que a NASA havia descoberto que a Terra não tem 4,5 bilhões de anos, mas apenas alguns milhares de anos. Ou seja, sem comentários. Contudo, os argumentos materialistas acabam se assemelhando muito aos argumentos dos religiosos mais radicais. Este mesmo amigo meu, ateu, usou um destes argumentos quando eu disse a ele que Einstein acreditava em Deus. Ele tentou provar que não era comprovado que ele acreditava em Deus, que suas declarações sobre Deus teriam outra interpretação, e coisas do tipo. Um ateu que foi no Jô esses dias disse exatamente a mesma coisa. Mas todo mundo sabe que Einstein acreditava em Deus. Ele disse isso. Então este argumento é manipulado para satisfazer aos interesses de quem não acredita em Deus (porque dizer que o maior cientista da história acreditava em Deus é um argumento muito forte contra o ateísmo). A mesma coisa acontece em alguns argumentos sobre EQMs, como:
    “EQMs poderiam ser consideradas como algum tipo de síndrome, semelhante a uma doença sem causa conhecida.”
    “Afinal de contas, as pessoas interpretam erroneamente as suas experiências o tempo todo (uma ilusão ótica representando o exemplo mais básico).”
    Estes são exemplos de argumentos manipulados para satisfazer aos interesses materialistas. Mas em alguns casos, o argumento é mesmo errado, e mostra desconhecimento, como neste caso:
    “mas nunca escreveram uma simples equação matemática ou química nem descreveram nenhuma teoria complexa que um ‘espírito matemático/cientista’ poderia estar trabalhando em um suposto mundo espiritual.”
    Certamente quem escreveu isto não conhece as obras de Chico Chavier, pelo espírito André Luiz, como “Mecanismos da Mediunidade”. Esta obra é tão científica e tão complexa que certa vez eu mesmo fui convidado a ir a um centro espírita dar uma aula de química e física para senhores de mais idade, que sabem muito mais de espiritismo e espiritualidade do que eu, mas que nunca estudaram química e física, e, portanto, estavam perdidos na leitura deste livro.
    Mas é o que eu disse, ainda sim esta discussão não teria fim, pois quem não quer acreditar não acredita mesmo. Até porque não existem provas científicas totalmente conclusivas, apesar de existirem diversas provas e evidências, que um homem de bom senso entende serem verdadeiras. Aliás, o bom senso sempre esteve presente nos grandes gênios da humanidade, que conseguiam enxergar além do seu tempo, e prever coisas que as pessoas da época não podiam compreender. Einstein é um exemplo disso. Muitas coisas em sua teoria não puderam ser provadas, tanto que a Relatividade não ganhou premio Nobel. Mas ele estava certo. Ele se guiava pela intuição. Ele até inventou um constante de força, numa de suas equações, que ele não consegui provar de onde vinha, e portanto não lhe deram crédito. Mas muito tempo depois foi provado a existência da tal força, hoje conhecida como Energia Escura. Outro exemplo é Leonardo Da Vinci. Ele não conseguiu provar que uma máquina voadora era possível de existir. Ele tentou fazer e não conseguiu. Mas ele sabia que era possível, enquanto as pessoas ignorantes da época achavam que ele era louco, que só as aves poderiam voar. Temos também Thomas Edison, inventor do fonógrafo, dentre outras tantas invenções, como a lâmpada elétrica. Ele foi ridicularizado quando apresentou sua invenção, precursor dos celulares atuais, e alguém até disse que “um vil metal não poderia jamais reproduzir a nobre voz humana”. Pessoas ignorantes que não conseguiam enxergar além do seu tempo. Thomas Edison acreditava em Deus, era Deísta, doutrina que questiona as religiões, dizendo que a razão pode levar a Deus.
    Enfim, se alguém vier hoje e disse que um diz existirão carros voadores, ou veículos que viajem a outros planetas, essa pessoa não conseguirá provar isso, mas ela sabe que isto acontecerá. Isso é uma visão do futuro, e nem precisa ser gênio pra entender isso. No filme “De Volta para o Futuro 3”, quando o Doutor Brown fala aos homens do passado que um dia existirão automóveis, eles riem dele, achando que ele está bêbado, sendo que ele não havia bebido nada. Da mesma forma, muitas informações que hoje temos sobre o mundo espiritual e qualquer outra coisa relacionada à espiritualidade, não podem ser provadas, mas o bom senso leva a crer que são verdadeiras. Com isso eu não digo que devemos acreditar em tudo. Mas naquilo que o bom senso diga que tem sentido. Quem ainda assim não acredita, pelo menos que não tente convencer as outras pessoas das suas idéias. Aqueles que criticaram Thomas Edison, Leonardo Da Vinci, Einstein, e tantos outros, hoje são considerados ignorantes que atrapalharam o progresso da ciência com o seu ceticismo. Certamente que um dia, os ateus, que tentam provar que nada existe além deste mundo, serão também considerados ignorantes que atrapalharam o progresso da humanidade, tentando dificultar a aquisição de novos conhecimentos acerca de uma existência além desta em que vivemos.

  5. Tudo o que sentimos, fazemos, pensamos, decidimos, etc e etc são apenas, mas MARAVILHOSAS, reações/configurações químico-elétricas do nosso corpo/cérebro, é claro com interações com o ambiente, através do recebimento de estímulos pelos nosso órgãoes de percepção. Não há alma, espírito, deus. Se há alguma energia ainda não explicada, eeperemos pelos estudos da física quântica.

  6. É o que eu disse. Tem coisas que são muito difíceis de serem provadas, mas podem muito bem ser deduzidas. A dedução pode trazer erros, mas está próxima da realidade. Não acreditar em uma coisa só porque não há provas não é um bom argumento, mesmo porque há muita coisa no universo que não conhecemos, e não podemos simplesmente descartar todas as idéias, todas as teorias e todas as proposições que surgirem, só porque não foram ainda provadas. Devemos, sim, analisar todas elas e ver qual delas é a que melhor satisfaz nossa razão, nossa lógica e bom senso, e depois sim, tentar provar esta idéia ou teoria que nossa ANÁLISE RACIONAL diz ser a mais coerente.
    A existência de Deus satisfaz a lógica da maioria das pessoas do mundo. O argumento de uma minoria que diz não haver para tanto provas científicas é realmente muito fraco, e só satisfaz à esta pequena minoria.
    Quanto à física quântica, é só esperar que ela vai, sim, trazer a resposta pra tudo. Não sei se estaremos vivos para vê-lo. Mas tenho certeza do que disse anteriormente. Aqueles que hoje combatem estas idéias serão tidos como ignorantes quando elas forem comprovadas.

  7. Sou estudante de mestrado em matemática e também sou espírita kardecista. A matemática é a linguagem que o homem desenvolveu para descrever a natureza. Deixando de lado as divisões física/biologia/quimica … , pensando na natureza como algo integrado, regrado pelas leis microscopicas, fisica quantica, como vc quiser. Mas como explicamos as “leis microscopicas”? Bom, basicamente aplica-se a teoria das EDP´s (Equações diferencias parciais). Então a conclusao é que (e nenhum matematico tem duvida disso) o homem toma sua verdade sobre o universo com base em solucoes de EDP´s.

    Infelizmente, o estudo das EDP´s é algo que se faz desde o século XIV, e não muito conseguimos desde lá. Pode soar estranho, resulta da teoria que existem EDP´s insoluveis. Existe o Caos, a propagação da incerteza. Diversos fenomenos modernos da teoria de EDP´s/fisica quantica aponta para uma IMPREVISIBILIDADE da natureza. Isto é, prova-se que a evolução dinamica de um evento é IMPREVISIVEL.

    Além disso, áreas do conhecimento que poucos julgam associadas a matematica, como a biologia, ultimamente tem mergulhado na teoria de EDP´s, isto é, mergulhado na imprevisibilidade. Por isso, julgo que a biologia/medicina não poderá ultrapassar a barreira do QUALITATIVO/APROXIMADO. Para se ter uma ideia, para modelar-se o comportamento de um fluido incompressivel (como a agua) usam-se as chamadas Equaçoes de Navier-Stokes, que, hoje em dia, são o tema de pesquisa central em EDP´s. Veja: Se mal sabemos o comportamento de um fluido numa caixa, imagine modelar matematicamente (quando se diz modelagem matematica, leia-se transformar um fenomeno natural em EDP´s) imagine modelar algo como a origem do PENSAMENTO. Pense agora o seguinte: Se em 5 seculos a matematica nao conseguiu fazer mais que modelar o comportamento de um fluido numa caixa, imagine algo como o cerbro. Diria que o Sol entrará em supernova antes de conseguirmos isso.

    Em resumo: Quanto mais sabemos, mais descobrimos que há verdades MUITO, MAS MUITO distantes de nós. Se vc acha q estou sendo pessimista, vá estudar matemática (EDP´s) e depois me diga.

    Toda esta previa, foi para dizer que a neurologia nao se sobepoe ao Espiritismo. Usar a neurologia para tentar explicar um fenomeno “paranormal” (como vcs dizem) mais avançado, é como tentar resolver as Equações de Navier Stokes usando Regra de Três.
    Nao estou criticando a neurologia, mas ela, assim como todo o conhecimento humano, ainda, e provavelmente durante millhoes de anos nao sera suficiente para observarmos a natureza de um modo mais profundo.

    Além disso, o Espiritismo como introduzido por Alan Kardec, queiram vcs ou nao segue todos os passos do Método Científico de Alan Kardec. Isto é, Espiritismo é mais ciencia do que psicanálise, isto sim é empirismo cego. Alan Kardec, o ceticismo personificado, nao imaginou criar uma religiao, nao passava pela cabeça dele comparaçoes com a Igreja Católica, por exemplo. Ele imaginou que estava DESVENDANDO ALGO, UM FENOMENO NATURAL.

    Para aqueles que soh acreditam VENDO MESMOOOOO, fica a dica: Comecem a frequentar grandes centros espiritas. Vcs verao coisas “impressionantes”. Só nao garanto que vao durmir nos primeiros dias, hehehe.

    Ate+.

  8. Ahh, e se vc acha que fisica quantica é o futuro, vc está desatualizado, hehe. Como a escala anda ficando pequena DEMAIS (quarks), e ai age o principio da incerteza de Heizenberg para nos brochar. Meus amigos, a fisica quantica basicamente eh uma teoria que diz; “o mundo é imprevisivel, e nao mais do que isso é possivel saber”. Ela nao pode penetrar os misterios mais profundos da materia. mesmo porque existem varios paradoxos entre a fisica quantica e a relatividade na explicação da gravidade, por exemplo.

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