Efeito Placebo 2

O efeito placebo não é somente real, sua habilidade de diminuir a dor tem sido mapeado nas células da medula espinal. Isso aumenta a esperança de novos métodos de tratamento de condições tais como a dor crônica.

Pesquisadores escaneram medulas espinais de voluntários enquanto aplicavam estímulos dolorosos térmicos em um braço. Então esfregavam um creme no outro braço, informando aos voluntários que o creme continha um analgésico – porém, de fato, não possuía qualquer ingrediente ativo. Mesmo assim, o creme fez com a atividade neural da medula espinal ligada à dor desaparecesse.

“Esse tipo de mecanismo tem sido previsto nos últimos 40 anos para a analgesia placebo,” diz Donald Price, neurocientista da Universidade da Flórida, em Gainesville, que não estava envolvido no estudo. “Esse estudo fornece o teste mais direto para os mecanismos envolvidos até agora.”

“O maior obstáculo para descobrir a função da medula espinal no alívio placebo da dor foi a análise por ressonância magnética funcional (fMRI)”, diz Falk Eippert, neurocientista do Centro Médico da Universidade de Hamburg-Eppendorf na Alemanha, que conduziu o estudo.

Comprimindo a Imagem

A análise de imagens por fMRI tem sido utilizada por muito tempo para o encéfalo, mas a parte da medula espinal que o grupo de Eippert estava interessado – o corno dorsal – é uma comparação minúscula, e difícil de se analisar. Ela também estava mergulhada no líquido cerebroespinal, complicando ainda mais as análises em tempo real.

O primeiro grande desafio do grupo foi comprimir o sinal do fMRI da medula espinal. Então adaptaram rapidamente essa técnica para o estudo do placebo no alívio da dor.

Isso significa inicialmente contar uma mentira a 13 voluntários. Eles foram informados que os pesquisadores estavam testando a efetividade de um creme com analgésico, comparando-o a um creme inativo como controle dos testes.

De fato, nenhum dos cremes continha qualquer anestésico. Porém, quando o grupo de Eippert aplicou o creme que supostamente continha o analgésico pela primeira vez, eles mantiveram a intensidade da estimulação térmica 40% abaixo do limiar à dor – 46 oC em média. Quando o grupo testou o creme controle, mantiveram a temperatura fixa em 80% do limiar da dor – uma média de 47 oC.

Devido a essa “fixação” da temperatura, os voluntários pensariam: “OK, isso realmente funciona, e funcionará da próxima vez que me for aplicado”, explica Eippert.

Sentindo os Efeitos

Mais tarde, com a análise juntamente ao fMRI, os pesquisadores aplicaram os cremes “controle” e “com analgésico” em dois pontos diferentes em cada braço esquerdo de cada voluntário, aplicando a mesma intensidade ao calor em cada ponto por 15 vezes.

O falso creme de analgésico funcionou: os voluntários disseram que sentiram 26% menos dor nos pontos tratados com o “analgésico” que nas áreas tratadas com o “controle”.

Enquanto isso, a análise pelo fMRI mostrou o efeito placebo. Quando a pele tratada com o creme “controle” foi aquecida, uma área do corno dorsal localizada no lado esquerdo, abaixo do pescoço do voluntário, iluminou-se, sugerindo aumento na atividade neural daquela área em resposta à dor. Porém, esse sinal desaparecia nos testes com o creme “analgésico”.

O grupo de Eippert não descobriu o que causa essa mudança. Ele especula que áreas cerebrais superiores envolvidas na aceitação do tratamento falso disparam a liberação de opióides endógenos – químicos que nosso encéfalo produz, funcionando como opióides e podendo modular a atividade da medula espinal.

Agora os pesquisadores conhecem a marca neural do alívio placebo da dor, eles podem utilizar esses dados para desenvolver tratamentos, químicos ou cognitivos, que podem ter uma melhor vantagem quando se acredita no tratamento, diz Eippert.

Fonte: http://www.newscientist.com/article/dn17993-placebo-effect-caught-in-the-act-in-spinal-nerves.html

Sobre Gabriel Bassi

Natural de São Paulo, Capital. Formado em Fisioterapia pela USP de Ribeirão Preto, faz mestrado em Psicobiologia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP). Faz pesquisas nas áreas de neurologia, imunologia e comportamento animal. Tem interesses (extra-acadêmicos) em pesquisas sobre a evolução cultural, econômica e social de distintos aspectos da religião e da religiosidade nas sociedades.

Publicado em 05/09/2011, em Efeito placebo. Adicione o link aos favoritos. Comentários desativados em Efeito Placebo 2.

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