Efeito Placebo

Parece que os placebos possuem um efeito real físico, não imaginário – através da ativação da produção de químicos no encéfalo que aliviam a dor.

Tratamentos placebos utilizam-se de substâncias sem qualquer ingrediente ativo. Mas se as pessoas são informadas que estão recebendo um analgésico ativo, por exemplo, elas muitas vezes sentem menos dor – um efeito que tem sido normalmente considerado como psicológico.

Estudos recentes, por outro lado, sugerem o contrário. Por exemplo, quando um placebo foi misturado em segredo com uma droga que bloqueia endorfinas – os analgésicos naturais do organismo – não houve qualquer efeito placebo, demonstrando que as endorfinas estão envolvidas nos processos de analgésicos placebos.

Agora o grupo de Jon-Kar Zubieta, da Universidade de Michigan em Ann Harbor, EUA, confirmou que os placebos aliviam a dor por potencializarem a liberação de endorfinas.

Manutenção da Dor

14 voluntários saudáveis em seus 20 anos foram voluntários para testar uma droga dita como “um medicamente que pode ou não aliviar a dor.” Para induzir a dor, os pesquisadores deram aos jovens injeções na mandíbula.

Durante os experimentos, os voluntários tinham que classificar a intensidade da dor a cada 15 segundos numa escala de 1 a 100; a maioria julgou a dor por volta de 30. Sem eles saberem, a medida foi utilizada para manter a dor constante, aumentando ou diminuindo a injeção do indutor da dor.

Essa manutenção da dor foi necessária, pois os próprios opióides do corpo – as endorfinas – tendem a aliviar a dor aos poucos ao longo do tempo, e os pesquisadores queriam separar esse efeito daqueles causados pelo placebo.

O Detetive

Todos os voluntários, os quais foram dados placebos de solução salina, relataram alívio da dor. Porém os pesquisadores não se deixaram levar somente pelos relatos: ao invés, escanearam os encéfalos dos voluntários por tomografia de emissão de pósitrons (PET). Injetou-se nos voluntários um traçador radioativo que se liga aos mesmos receptores opióides mi (µ) das endorfinas, permitindo descobrir os níveis de endorfinas produzidos nos encéfalos de cada voluntário.

Os jovens, que foram seus próprios controles, foram analisados três vezes: antes do experimento começar, quando estavam com dor, porém ainda sem a administração do placebo, e após a administração do placebo. Metade dos voluntários sentiram somente a condição dolorosa sem qualquer alteração, enquanto a outra metade teve algum benefício dos placebos.

Os escaneamentos revelaram que após os voluntários terem recebido o placebo, seus encéfalos liberaram mais endorfinas que o normal. Zubieta pensa que os efeitos placebos pegam carona no sistema inato de analgesia do organismo. “ [O sistema] está ali para assegurar a sobrevivência do organismo,” ele diz. “O efeito placebo age por meio desses mecanismos.” Porém, como funciona, permanece um mistério.

Fonte: http://www.newscientist.com/article/dn7892-placebos-trigger-an-opioid-hit-in-the-brain.html

Sobre Gabriel Bassi

Natural de São Paulo, Capital. Formado em Fisioterapia pela USP de Ribeirão Preto, faz mestrado em Psicobiologia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP). Faz pesquisas nas áreas de neurologia, imunologia e comportamento animal. Tem interesses (extra-acadêmicos) em pesquisas sobre a evolução cultural, econômica e social de distintos aspectos da religião e da religiosidade nas sociedades.

Publicado em 05/09/2011, em Efeito placebo. Adicione o link aos favoritos. Comentários desativados em Efeito Placebo.

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