A Neurologia das Experiências de Quase Morte parte 2

Ver vidas passadas e a luz no final do túnel podem ser explicadas por novas pesquisas sobre o funcionamento anormal da dopamina e da oxigenação sanguínea.

Acho um post bom prá colocar. Apesar dos Racionalistas terem falado tanto dos charlatões e pseudocientistas que usam dinheiro público prá financiar pesquisas inúteis e de como a ciência explica esses “fenômenos”. O post vai dar uma atualizada nas pesquisas sobre experiências de quase morte. E que essas experiências podem ser reproduzidas sem que a pessoa esteja em estado de “quase” morte.

Pois bem, as experiência de quase morte são muitas vezes encaradas como um fenômeno místico, mas pesquisas agora revelam as explicações científicas para todas as suas características em comum. Os detalhes do que acontece nas experiências de quase morte atualmente são bem conhecidas – sensação de estar morto e da “alma” deixar o corpo, viagem para além de uma luz brilhante, e a passagem para uma outra realidade onde o amor e a felicidade estão em sintonia.

Aproximadamente 3% da população dos EUA diz ter tido uma experiência de quase morte de acordo com uma pesquisa da Gallup. As experiências de quase morte são relatadas entre diversas culturas, com descritos datando da Grécia antiga. Nem todas essas experiências se relacionam exatamente com a morte – um estudo com 58 pacientes que relataram experiências de quase morte mostrou que 30 deles não estavam em perigo de morte, embora a maioria dos pacientes pensou que estivesse.

Recentemente vários estudos revelaram as bases fundamentais para todos os elementos de tais experiências. “Muitos dos fenômenos associados com experiências de quase morte podem ser explicados biologicamente,” diz o neurocientista Dean Mobbs, da Unidade de Cognição e Ciências do Encéfalo do Conselho de Pesquisas Médicas da Universidade de Cambridge. Mobbs e Carolina Watt, da Universidade de Edimburgo detalharam essa pesquisa em agosto de 2011.

Por instância, o sentimento de estar morto não está limitado a experiências de quase morte – pacientes com Síndrome de Cotard ou do “corpo que caminha” mantém a crença ilusória de que estão mortos. Essa desordem tem ocorrido após um trauma, tais como durante estágios avançados de febre tifóide ou de esclerose múltipla, sendo relacionada a regiões encefálicas tais como o córtex parietal e o córtex pré-frontal – “o córtex parietal está comumente envolvido em processos de atenção, e o córtex pré-frontal está envolvido nas ilusões observadas em condições psiquiátricas tais como a esquizofrenia,” explica Mobbs. Embora o mecanismo por trás dessa síndrome ainda permaneça desconhecida, uma possível explicação é que os pacientes tentam fazer com que essas experiências estranhas passem a fazer algum sentido em suas vidas.

Localização da região têmporo-parietal (círculo vermelho)

Experiências nas quais o indivíduo está fora do corpo (experiências extra-corporais) também são agora reconhecidas por serem comuns durante a interrupção do estágio do sono que precede imediatamente a sonolência ou a vigília. Por instância, a paralisia do sono, ou a experiência de se sentir paralisado enquanto consciente do mundo externo, é reportada em até 40% das pessoas, estando relacionada com alucinações oníricas vívidas, podendo resultar na sensação de flutuação acima do corpo do indivíduo. Um estudo de 2005 mostrou que experiências extra-corporais podem ser iniciadas artificalmente pela estimulação da junção têmporo-parietal direita no cérebro, sugerindo que a confusão no recebimento e decodificação das informações sensoriais do corpo pode alterar radicalmente a experiência do indivíduo sobre o próprio corpo.

Há também diversas explicação para os relatos de pessoas moribundas que encontram (ou vêem) outras pessoas já mortas. Em pacientes com doença de Parkinson, por exemplo, há relatos de visão de fantasmas, até monstros. A explicação? A doença de Parkinson envolve o funcionamento anormal da dopamina, um neurotransmissor que pode evocar alucinações. E quando vem à tona a experiência comum de “ver a vida passar diante dos olhos”, um dos culpados pode ser o locus cerúleo, uma região do mesencéfalo que libera noradrenalina, um hormônio (e neurotransmissor) do estresse que é liberado em grandes quantidades durante um trauma. O locus cerúleo possui extensas conexões com regiões cerebrais que modulam a emoção e a memória, tais como a amígdala e o hipocampo.

Além disso, pesquisas mostram que várias drogas medicinais e recreacionais podem mimetizar a euforia e o bem-estar muitas vezes sentidos em experiências de quase-morte, tais como o anestésico/amnésico ketamina, a qual pode também dar início a experiências extra-corporais e alucinações. Os efeitos da ketamina no sistema opióide e de serotonina do cérebro, o qual pode se tornar ativo naturalmente, mesmo sem a presença de drogas, quando há perigo de morte (1,2), sugerem que o trauma pode ser uma marca em comum para as experiências de quase-morte, explica Mobbs.

Finalmente, um dos aspectos mais famosos das alucinações das experiências de quase morte é a movimentação por um túnel para uma luz brilhante. Embora as causas específicas dessa parte das experiências de quase-morte ainda não são claras, a visão do túnel pode ocorrer quando o fluxo sanguíneo e, consequentemente, o oxigênio são removidos do olho, como pode ocorrer durante o medo extremo, na sensação de desmaio, golpes no olho e durante estados de hipóxia/anóxia, comuns durante a morte.

Juntando esses dados, as evidências científicas sugerem que todas as características das experiências de quase morte possuem alguma base quando o funcionamento normal do encéfalo é alterado. Ainda mais, grande parte do conhecimento relacionado aos episódios de quase morte podem ter um papel fundamental para a própria experiência – como numa profecia auto-convincente. Tais achados ‘fornecem evidências científicas para algo que tem sido destinado ao campo da paranormalidade,” diz Mobbs. “Pessoalmente acredito que o entendimento do processo de morte pode nos ajudar a cunhar termos dessa parte inevitável da vida.”

Um obstáculo potencial para pesquisas futuras sobre as experiências de quase morte será sua análise experimental, diz o neurocientista cognitivo Olaf Blanke, do Instituto Federal Suíço de Tecnologia, em Lausanne, Suíça, o qual investigou experiências extra-corpóreas. Até agora “nosso trabalho tem mostrado que as experiências extra-corpóreas podem ser testadas, então por que não testar as sensações associadas com as experiências de quase-morte?”

Xico Xavier que nos aguarde…

Fonte (com adaptações) e também traduzido para o site Controversia

Sobre Gabriel Bassi

Natural de São Paulo, Capital. Formado em Fisioterapia pela USP de Ribeirão Preto, faz mestrado em Psicobiologia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP). Faz pesquisas nas áreas de neurologia, imunologia e comportamento animal. Tem interesses (extra-acadêmicos) em pesquisas sobre a evolução cultural, econômica e social de distintos aspectos da religião e da religiosidade nas sociedades.

Publicado em 30/09/2011, em crenças, espiritismo, Experiências de quase morte, Pseudociência em universidades, racionalismo, Religião. Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Desculpe, mas o texto é ruim. Não há duvida que informa sobre resultados relevantes sobre o tema, porém, reafirmo, o texto é ruim – tendencioso ao extremo.

    1 – Começa com uma acusação genérica.

    2 – Em seguinda diz (negritado!): “pesquisas agora revelam as explicações científicas para TODAS as suas características em comum..” > afirmação tendenciosa, inadequad e cientificamente pobre para alguém que se auto-intitula um conhecedor da ciência.

    3 – o restante do texto se apóia em uma retórica moderadamente refinada que, salpicando resultados aqui e acolá, afiram RESOLVER o problema das EQM. ÓBVIO que é muito tosco afirmar isso (cientificamente). É claro que não podemos negligenciar as pesquisas que o Dr. André cita, mas, daí afirmar que o problema das EQMs está solucionado é demais!

    A utilização da navalha de Occam aqui entra como um recurso maquiavélico que impede o avanço da pesquisa pleitando ao biologicismo o papel de agente heurístico “mágico”.

    Desculpe André, você até se esforça – é louvável – mas sua “cruzada pessoal” afeta sua “produção” intelectual em demasia….uma pena…

  2. Perdão!!! É Gabriel o autor aqui. É que eles escrevem de maneira tão uniforme e genérica que acabo me confundindo. Aproveitando o equívoco, um abraço para o André. Estou sempre lendo o texto de vocês. Continuem na ativa!

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