A Peregrinação Islâmica e os Problemas à Saúde Consequentes da Aglomeração

A primeira parte pode ser encontrada aqui A Peregrinação Islâmica e as Tragédias Decorrentes da Aglomeração

Por Gabriel Shimizu Bassi e Octavio da Cunha Botelho

Este estudo foi intencionalmente programado para ser postado na época da Hajj, a Grande Peregrinação Mulçumana à Meca que, este ano, no nosso calendário, acontece dos dias 24 a 29 de Outubro. O evento tem proporções gigantescas, pois é a maior concentração anual de religiosos do planeta, o de 2011 reuniu cerca de 2,5 milhões de fiéis, perdendo apenas para um festival hindu que acontece de 12 em 12 anos em Allahabad, Índia, o Purna Kumbha Mela, o qual habitualmente reúne cerca de 20 milhões de devotos.

O estudo, num primeiro momento, informa o que é a Hajj, a execução dos seus ritos, a sua origem pré-islâmica e as lendas por trás dos seus ritos, esta parte inicial escrita por Octavio da Cunha Botelho. Para então, num segundo momento, relatar e analisar os principais problemas de saúde decorrentes da excessiva aglomeração de peregrinos neste evento, esta segunda parte escrita por Gabriel Shimizu Bassi.

O que é a Hajj

O quinto pilar (princípio) do Islamismo é a Hajj (sendo os outros: a Profissão de Fé, a Oração, a Caridade e o Jejum), isto é, a grande peregrinação à Meca, para diferenciar da pequena peregrinação (Umra), que todo mulçumano saudável e com condição financeira é obrigado a fazer pelo menos uma vez na vida. Geralmente traduzida como peregrinação, a Hajj, mais precisamente, é uma série de ritos executados em determinados pontos e momentos do trajeto da peregrinação no interior da Grande Mesquita (al-masjid al-haram) e nos locais sagrados (Mina, Muzdalifa e Monte Arafat) ao redor da cidade de Meca. Acontece anualmente entre os dias oitavo e décimo terceiro do mês Dhul Hijja, o décimo segundo e último do calendário mulçumano. Em vista da diferença do calendário lunar dos mulçumanos com o calendário solar, este ano o evento acontecerá entre os dias 24 e 29 de Outubro. Além da Hajj, existe outra peregrinação mulçumana, a Umra (visitação) a qual pode ser feita em qualquer época do ano e não é obrigatória, conhecida também como peregrinação menor (Robinson, 2003, 127-36).

A execução da Hajj

A série de ritos da peregrinação (Hajj) começa no 8º dia do mês de Dhul-Hijja, o 12º do calendário mulçumano e termina no 13º dia. Entretanto. Antes deste período, no sétimo dia, os peregrinos se submetem à Purificação Ritual (Ihram), a qual deve ser feita antes de entrar na Al-Masjid Al-Haram (a Grande Mesquita de Meca). Esta consiste em aparar as unhas e o bigode, remover os fios de cabelo desnecessários, tomar banho e vestir os trajes brancos sem costura (o izar e o rida). Também, eles devem recitar a oração ritual (Talbiyah). As mulheres são dispensadas de alguns destes requisitos. Durante a Hajj, o peregrino deve abster-se de usar roupas costuradas, de cobrir a cabeça (as mulheres não cobrem o rosto), de se banhar e de cuidar do corpo, de praticar atividade sexual, de usar perfumes, de envolver-se em conflito e em derramamento de sangue, de caçar e de destruir plantas (Long, 1979: 16). No passado, quando os peregrinos chegavam por terra, foram instalados locais de purificação em cidades ao redor de Meca, para que os fiéis pudessem efetuar os ritos de purificação (Ihram) e, assim, alcançarem o estado de consagração, antes de entrarem na Grande Mesquita. Atualmente, como muitos chegam de avião, estes ritos preparatórios são feitos em Meca mesmo. Isto tem que ser feito até o 7º dia, pois no 8º dia iniciam-se os ritos da Hajj propriamente.

Veja abaixo a programação da Hajj dia por dia no mês de Dhul–Hijja do calendário mulçumano (Long, 1979: 11-23; Robinson, 2003: 132-6 e Bianchi, 2004: 09):

– 8º dia: vestidos nos trajes brancos e previamente consagrados (Ihram), os peregrinos entram na Al-Masjid Al-Haram (a Grande Mesquita) pelo Portão da Paz (Bab as-Salam) e executam inicialmente o Tawaf da Chegada (circulação por 7 vezes ao redor da Caaba no sentido anti-horário) repetindo orações. Durante cada giro em torno da Caaba, é prescrito um toque na Pedra Preta, porém durante a Hajj não é obrigatório, em vista da multidão, que pode ser substituído por um gesto simulando o toque. Em seguida, executam a Sai (a caminhada e/ou a corrida entre as colinas de Safa e de Marwa por 7 vezes). Depois, os peregrinos retornam ao pátio da Caaba para beberem a água da fonte Zamzam para, então, em seguida, se dirigirem à Mina (3 milhas de Meca), onde realizam orações.

– 9º dia: os peregrinos deixam Mina e se dirigem ao monte Arafat, o local onde Maomé fez seu último sermão, aí permanecem em vigília contemplativa, rezam e recitam o Alcorão. Este momento é considerado o auge da Hajj. Em seguida, se dirigem para Muzdalifa, onde passam a noite dormindo no chão e no céu aberto. No dia seguinte os peregrinos retornam para Mina, para a cerimônia do apedrejamento do demônio (ramy al-jamarat).

– 10º dia: Em Mina, os peregrinos recolhem um tanto de pedras de cascalho, para serem lançadas contra 3 muros (antes eram 3 pilares, após 2004 os pilares foram substituídos por 3 muros altos, uma vez que as pedras lançadas estavam atingindo peregrinos do outro lado), rito que significa o desafio ao demônio. Depois, se possível, os peregrinos sacrificam um animal de sua propriedade e, em seguida, os homens raspam o cabelo e as mulheres cortam uma polegada do cabelo.

– 11º dia: os peregrinos retonam à Meca e executam a segunda Tawaf (a circulação ao redor da Caaba) e a segunda Sai (a corrida entre as colinas de Safa e de Marwa).

– 12º dia: os peregrinos retornam à Mina e repetem o ritual do apedrejamento do demônio.

– 13º dia: retorno à Meca, onde executam o Tawaf do Adeus (a última circulação ao redor da Caaba) e, por fim, as cerimônias terminam e, então, os peregrinos deixam Meca.

A origem pré-islâmica da Hajj

Diante da grandiosidade deste evento, bem como da tamanha devoção dos fiéis durante as cerimônias e da beleza da Grande Mesquita de Meca, é interessante conhecer a crença que motiva a magnitude desta concentração religiosa.

Em suma, os ritos da Hajj são reencenações de lendas que relatam episódios aflitos e gloriosos das vidas de Abraão (Ibrahim para os mulçumanos), de sua escrava, Hajar, com quem teve um filho, Ismael. Lendas, nem sempre coincidentes, preservadas pela tradição (Hadith), das quais Maomé adaptou para um contexto islâmico, a fim de atribuir uma origem gloriosa e monoteísta para o conjunto de revelações que estava transmitindo na época.  Os cultos à Caaba (lit. cubo), à Pedra Preta e aos locais ao redor (Safa, Marwa, etc.) já existiam antes de Maomé, porém eram cultos politeístas praticados pelas tribos nativas da região árabe. Maomé, após suas conquistas militares, reformou estes cultos dando-lhes um caráter monoteísta. O Alcorão III. 96-7 ufaneia: “A primeira Casa (de adoração) destinada aos homens foi aquela de Bakka (Meca). Plena de benção e guia para todos os seres. Nela estão sinais manifestos: o lugar de estadia de Abraão. Qualquer um que penetre nela alcança segurança. A peregrinação à ela é um dever que os homens devem a deus…” (Ali, 1934: 148 e Challita, 2002: 32).

A associação de Abraão com o Islã foi uma manipulação astuta de Maomé que funcionou. Nas palavras de David E. Long: “Ao vincular o Islã a Abraão, Maomé parece ter sido influenciado pela grande população judia em Medina. Não só ele conheceu a tradição judia com os judeus, como também procurava alcançar reconhecimento de si mesmo como profeta, para tanto, Maomé utilizou a tradição comumente aceita de que Abraão era o pai natural de ambos: dos árabes e dos judeus. Quando os mulçumanos romperam com os judeus de Medina, o uso de Abraão como uma figura de pai foi apropriado, visto que ele (Abraão) pré-datava tanto o Cristianismo como a Torá Judaica. Ligar Abraão com o Islã foi, mais que tudo, uma inovação e não uma adaptação da tradição pré-islâmica de Meca” (Long, 1979: 05).

A etimologia da palavra Hajj é interpretada assim: “A palavra Hajj está relacionada com o hebraico Hag, a qual refere-se aos festivais cíclicos envolvendo a peregrinação e talvez a circulação. Significa “dirigir-se para”, relacionada com o ato de peregrinação” (Long, 1979: 04).

As lendas por trás dos ritos da Hajj islâmica

A construção da Caaba por Abraão e seu filho Ismael é mencionada no Alcorão (II. 125-7), mas os relatos mais extensos foram preservados nas tradições (Hadith). Então, um corpo de lendas se desenvolveu a partir da referência à construção da Caaba por Abrão e seu filho no livro sagrado do Islã. No entanto, “de acordo com alguns relatos, a Caaba de Abraão foi, na verdade, a segunda a ser construída no local, a primeira sendo construída por Adão, que tinha ido à Meca após ser expulso do Paraíso. Esta primeira construção, tal como a lenda relata, foi destruída durante o Dilúvio” (Long, 1979: 06). Portanto, segundo esta versão da lenda, o que Abraão fez foi, na verdade, reconstruir a Caaba.

Os relatos nas lendas são divergentes, de modo que David E. Long tenta organizá-los assim: “Abraão e seu filho Ismael tiveram ajuda sobrenatural enquanto eles construíam (ou reconstruíam) a Caaba. De acordo com uma versão, deus guiou Abraão até o local da primeira Caaba por uma nuvem, que parou acima do local e ordenou a Abraão que construísse um edifício sobre a sombra que ela projetava. Abraão começou a construir usando pedras trazidas por Ismael. Numa outra versão, as pedras eram extraídas de três montanhas: uma de Meca, uma de Jerusalém (o Monte das Oliveiras) e uma do Líbano (o Monte Hermon)” (Long, 1979: 06).

“No canto leste da Caaba (cada canto está dirigido para um ponto cardial) está a famosa Pedra Negra.  De acordo com a lenda, ela foi trazida até Abraão pelo anjo Gabriel de Jabal Abn Qubays (uma montanha perto de Meca), onde ela tinha permanecido desde o dilúvio, tendo sido parte da Caaba original. A pedra era originalmente branca, mas ficou preta pelo contato com os pecados do homem. No Dia do Julgamento a pedra falará em testemunho contra a humanidade” (Long, 1979: 06).

“Um outro conjunto de lendas ligando Abraão ao Islã e a Hajj trata da sagrada fonte de água Zamzam, localizada no interior da Grande Mesquita e da Sai, ou as sete travessias entre as colinas de Safa e Marwa. Não há menção da Zamzam no Alcorão, mas as colinas Safa e Marwa são elogiadas (II. 158): “Al-Safa e Al-Marwa figuram entre os lugares de Deus. Quem fizer a peregrinação à Casa (Caaba) ou a visitar (Umra) não cometerá transgressão se circundar estes dois montes…” (Ali, 1934: 62 e Challita, 2002: 14).

“As lendas relativas à Zamzam e à Sai variam, mas a história geral envolve Hajar e seu filho Ismael, abandonados no deserto por Abraão. De acordo com uma versão, Abraão e sua esposa Sarah, tendo deixado a Caldeia, viajaram para o Egito. Quando estavam lá, o faraó Salatis tentou por três vezes seduzir Sarah, mas foi milagrosamente impedido, de maneira que não pode fazê-lo. Liberando-a para seu marido, ele deu a ela uma lembrança, uma bela escrava, Hajar. No principio as coisas iam bem, Abraão teve um filho, Ismael, com Hajar (pois Sarah era estéril). Mas Sarah começou a ficar ciumenta e exigiu que Abraão abandonasse os dois no deserto. Relutante ele fez assim, deixando-os no Vale da Sede, o local da atual Meca. Abraão previu, contudo, que aquele era o local da primeira Caaba e que nenhum mal ocorreria a Hajar e a Ismael. Depois que ele partiu, Hajar correu em direção a uma miragem de água até que ela alcançou o topo da colina Al-Safa e regressou, então ela perseguiu a miragem até que ela alcançou o topo da colina Al-Marwa. Após correr de ida e de volta por sete vezes, ela retornou até seu filho, somente para descobrir a água surgindo de onde ele estava. Esta era a água de Zamzam. Em alguns relatos Ismael acidentalmente descobriu a água, e em outros, o anjo Gabriel golpeou a terra e fez ela surgir, enquanto que outros, foi a redescoberta da água originalmente usada por Adão e Eva quando eles foram expulsos do Éden. De qualquer maneira, a Sai existe para comemorar a corrida de ida e de volta de Hajar em busca de água” (Long, 1979: 07).

“De acordo com uma versão, Abraão foi ordenado por deus num sonho a sacrificar seu filho Ismael. No dia seguinte, ele disse ao seu filho que eles iriam sair para encontrar lenha, mas quando estavam caminhando, Abraão não se conteve e confessou a Ismael o que Deus lhe tinha instruído fazer. Ismael aceitou seu destino e seguiu seu pai até o local do sacrifício que Abraão tinha visto no sonho, um penhasco próximo ao terceiro Jamrah (antes pilar, agora muro para arremesso de pedras) em Mina. No caminho, Satã apareceu para Ismael três vezes, uma vez em cada Jamrah e o alertou sobre o que seu pai pretendia fazer. Em cada ocasião Ismael lançou pedras contra Satã. Quando Ismael foi amarrado e colocado no local do sacrifício, Abraão colocou uma faca no seu pescoço, mas a faca recusou entrar na sua carne. Após uma terceira tentativa, o anjo Gabriel apareceu com um carneiro. Ele disse a Abraão que Deus tinha recebido seu sacrifício e não exigia a alma de Ismael, e que deveria, ao invés disto, oferecer um carneiro em seu lugar” (Long, 1979: 08). Esta é a origem do rito do apedrejamento em Mina.

A Hajj é um exemplo atual de como a crença em antigas lendas ainda é capaz de levar multidões a se exporem e a se submeterem às condições de desconforto e de risco, em troca de uma simples demonstração de submissão. Certamente, aglomerações com estas proporções não poderiam passar sem incidentes, com exposição ao risco de milhares de fiéis que, com frequência, resulta em acidentes e em casos de contaminação, apesar das providências dos organizadores sauditas, ano após ano, para evitar o aumento de ocorrências. Os problemas de saúde decorrentes da grande aglomeração na Hajj, ocorridos nas últimas décadas, serão relatados e analisados em seguida.

Epidemiologia da Hajj

A Hajj é conhecida mundialmente pelos epidemiologistas e infectologistas como um dos eventos de maior ocorrência de doenças potenciais à saúde física coletiva (Shaffi et al., 2006; Memish, 2002).

A aglomeração é um dos maiores problemas mundiais de saúde pública (Memish, 2002). A grande quantidade de pessoas que faz o itinerário da Hajj (o trânsito de mais de 2 milhões de pessoas num percurso relativamente curto) pode propiciar o rápido aparecimento de epidemias. O calor extremo, o conglomerado e o congestionamento humano entre animais e carros, bem como a preparação e o armazenamento inadequados de alimentos e água podem facilitar o contágio dos indivíduos por patógenos diversos, principalmente por agentes aéreos. Tais fatores foram o estopim que propiciaram o surgimento da epidemia de meningite por Neisseria meningiditis na Hajj dos anos de 2000-2001 (Ahmed et al., 2006). Além disso, a taxa de infecção por tuberculose resistente a antibióticos é três vezes mais alta em Meca e em Medina que a média nacional para a Arábia Saudita (Al-Kassimi et al., 1993; Khan et al., 2001). O próprio governo saudita tentou por vezes impedir a entrada de peregrinos que vinham de países em risco de epidemia. Por exemplo, na Hajj deste ano (2013), o governo saudita proibirá a entrada de peregrinos provindos de Uganda e da República Democrática do Congo por medo de estarem infectados com ebola (MacKenzie, 2013).

Figura 1. Número de peregrinos que chegam à Hajj no ano de 2005. Ahmed et al., 2006.

O suíço John Lewis Burkhardt foi o primeiro europeu a relatar os perigos de contaminações potencialmente fatais durante a peregrinação (Hajj) no ano de 1813 (Burkhardt, 1829). Burkhardt, posteriormente estudando os trabalhos de historiadores árabes, mostrou que na Hajj do ano de 1271 houve o aparecimento de uma “pestilencia” não específica, matando 50 pessoas por dia. Outra “pestilencia” surgiu no ano de 1424, matando 2000 pessoas (Burkhardt, 1829). Entre os sintomas mais aparentes estava a “febre intermitente” (cujo pico de febre ocorre em períodos, como as vistas num indivíduo parasitado por malária), “febre pútrida” (provavelmente devido à infecção por difteria ou tifo) e, por último, mas não menos importante, as disenterias diversas. Nos anos de 2000 e 2001, a Hajj recebeu especial atenção pela ocorrência de uma epidemia meningocócica (infecções que acometem as meninges, membranas que envolvem o encéfalo, e uma das causadoras das meningites) que acometeu mais de 2400 pessoas (Aguilera et al., 2002; Ahmed et al., 2006). Bernieh e colaboradores (1995) mostraram que dentre 94 pacientes atendidos durante a Hajj no setor de hemodiálise do hospital de Madinah Al Munawarah (cidade de Medina), 54 pacientes (60%) foram positivos para o vírus da hepatite C (embora nenhum membro da equipe de saúde tenha sido positivo para o vírus).

Porém os problemas sanitários envolvendo o festival da Hajj começam muito antes de se alcançar o local de adoração, localizado em Meca. Os peregrinos inicialmente trocam suas vestimentas diárias por pedaços de tecidos amarrotados e desalinhados, simbolizando a morte em vigilância constante do mundo mundano (Winston, 2005; Hanlon, 2000). Os peregrinos então se abstêm do uso de artigos de higiene pessoal (tais como sabonetes e papel higienico devido ao perfume), relações sexuais e cortes de cabelos e unhas.

Qualidade da Água

Sabe-se que o suprimento de água fornecido em Meca durante a Hajj é fornecido por usinas de desalinização ao sul de Jeddah e de poços artesianos. E essa água é transportada por meio de caminhões-pipa para locais e áreas residenciais onde não se consegue chegar com a água por meios convencionais (tubulações). Mashat e colaboradores (2010) avaliaram a qualidade da água contida em 508 caminhões-pipa que transportavam água, durante o festival da Hajj, a partir da usina de dessalinização (160) e de poços artesianos (348) entre os anos de 2006-2008. Os níveis de coliformes e de E. coli excediam os níveis máximos permitidos pela Agência de Medidas e Especificações Saudita (SASM). Contaminantes químicos (sólidos totais dissolvidos, NH4, NO3, NO2, SO4, Cl, Cu, Ca, Mg, F) também excediam os níveis máximos especificados pela SASM.

Qualidade dos Alimentos

A diarréia é um sintoma comum para qualquer peregrino que participa da Hajj, porém há poucos estudos envolvedo sua epidemiologia. Baseando-se em estatísticas internacionais (Organização Mundial da Saúde e pesquisadores independentes), durante o período da Hajj entre 1992-2004, relatos de epidemias de infecção alimentar variaram de 44 a 132 casos por ano (Organização Mundial da Saúde, 2002; Green & Roberts, 2002). Isso se deve à chegada de pessoas de diversos países com diferentes culturas, posições sociais e estilos de vida que são expostas a sanitários lotados e pouco higienizados e a patógenos alimentares raros em seus países de origem (Organização Mundial da Saúde, 2002; Green & Roberts, 2002).

De acordo com o Ministério da Saúde da Arabia Saudita (MSAS), esse número pode ser muito maior, pois grande parte das epidemias de intoxicação alimentar não é relatada ao MSAS (Mazrou, 2004). Baseando-se nos relatos que chegaram aos escritórios do MSAS, houve um grande aumento no número de epidemias de intoxicação alimentar entre a Hajj de 1989 e 2002 (Ministério da Saúde da Arábia Saudita, 2002) (figura 2). Porém, como os casos dependem da notificação por parte dos sistemas de avaliação estatais, fica difícil ter certeza se o evento observado é resultados de um aumento real do envenenamento dos alimentos ou simplesmente uma melhora no sistema de avaliação (Mazrou, 2004). Mas o período de ocorrência dessas epidemias vai de Junho a Agosto (período de férias escolares) (Ministério da Saúde da Arabia Saudita, 2002) e durante a temporada da Hajj (Organização Mundial da Saúde, 2002; Green & Roberts, 2002).

Figura 2. Número de epidemias alimentares relatadas no período de 1989-2002 durante o período da Hajj. Ministério da Saúde da Arabia Saudita – MSAS (2002).

Os grandes causadores destas epidemias durante a Hajj são o Staphylococcus aureus, acometendo por volta de 41% dos casos (Kurdi et al., 1998), e a Salmonella spp., acometendo por volta de 33% dos casos (Al-Turki et al., 1998). Na Hajj de 1986, a causa mais comum de internação foi a gastroenterite (76,6% das internações), com uma taxa de incidencia de 4,4 por 10 mil pessoas, sendo que 41% dos internados por essa sintomatologia tinham mais de 60 anos (Ghaznawi & Khalil, 1986). Em 2002, essa doença acometeu 6,3% das internações, ficando atrás somente das doenças respiratórias (57%) e das doenças cardiovasculares (19,4%) (Al-Ghamdi et al., 2003). O Vibrio cholera (causador do cólera) foi responsável por várias epidemias nas Hajjs de 1984-1986 (Onishchenko et al., 1995ab), porém a melhora no sistema de distribuição de água e canalização do esgoto praticamente aboliram a contaminação por cólera desde então.

Porém, o sistema de saneamento nos locais de peregrinação ainda se mantém precário, o que pode acarretar o surgimento de diversas doenças que se utilizam de outros vetores.

Tabela 1. Fatores que predispõesm a doenças durante a peregrinação (Hajj). Adaptado de Memish et al., 2003.

Infecções dermatológicas

Rituais prolongados de permanecer em pé, andar, carregar ornamentos, o calor e o suor excessivo promovem infecções de pele que são bem comuns aos peregrinos da Hajj. Além disso, em algums áreas sagradas, os peregrinos precisam andar descalços em locais onde o chão é extremamente quente devido ao sol do meio-dia, podendo levar a sérios casos de queimaduras (Al-Qattan, 2000; Fried et al., 1996). Dos 1441 pacientes dermatológicos da cidade de Meca durante a Hajj, impetigos, carbúnculos, furúnculos, foliculites e eczemas agravados por pioedemas foram os problemas mais comuns (Fatani et al., 2000, 2002). Outro problema é o convívio com animais para posterior sacrifício, causando contaminações por fezes e sangue em contato com cortes de mãos durante o abatimento de animais, além do contágio por parasitas (Hawary et al., 1997) (ver tópico risco de traumas).

Doenças causadas pelo sangue – hepatites

Já se é conhecido de longa data o potencial para a epidemia de hepatite associada à contaminação do sangue, de alimentos e da água durante a peregrinação da Hajj (Zuckerman & Steffen, 2000; Khuroo, 2003). De um modo geral, todas as hepatites dividem um mesmo modo de contaminação: contato com sangue contaminado, dejetos humanos, contato com mucosas, alimentos e água contaminados, etc (talvez possamos excluir as relações sexuais devido às características culturais da Hajj, descrita brevemente acima). Curiosamente, grande parte dos peregrinos que executam a Hajj é de países endêmicos aos diversos tipos de hepatite (Figuras 3, 4 e 5).

Figura 3. Taxa de incidência de hepatite A por países no ano de 2005. Fonte: Jacobsen & Wiersma, 2010

Figura 4. Taxa de pessoas infectadas por hepatite B. Note-se que os locais de onde partem grande número de peregrinos possuem níveis moderados altos de contaminação. Fonte: Center for Disease Control (www.cdc.gov)
Figura 5. Estimativa da prevalencia de hepatite do tipo C por região em 2004. Fonte: Alter, 2007.

Frutas, particularmente as descascadas, podem ser vetores de contaminação. Apesar de a Arábia Saudita ter banido a entrada de alimentos provindo de peregrinos e visitantes (exceto enlatados para serem consumidos em até 24 horas), 37% desses ainda trazem alimentos de seus respectivos países (Alrabeh et al., 1998). Além disso, 34% dos peregrinos compram alimentos de ambulantes e de lojas provisórias, muitos com padrões duvidosos de higiene (Alrabeh et al., 1998). Outro fator preocupante é a não utilização de sabonetes e detergentes (devido ao perfume) ou de álcool para mãos durante o acampamento que ocorre em Mina. Outro fator potencial é o contato pessoal durante os diferentes rituais, tais como a caminhada de Safa-Marwah e a estadia em Arafat.

A prática de raspar a cabeça pode aumentar o risco de contaminação por hepatite e outras doenças de maior ou menor morbi-mortalidade (Al-Salama & El-Bushra, 1998; Gatrad & Sheikh, 2001; Rashid % Shafi, 2006). Ao final do festival, por volta de 90% dos homens tem sua cabeça raspada por barbeiros locais ou outros peregrinos (Turkistani et al., 2000). Em dois estudos separados, 61% dos peregrinos cujas cabeças foram raspadas tinham cortes no escalpo (máximo de 18 cortes), e 25% dos barbeiros reaproveitavam as lâminas (Alrabeh et al., 1998; Turkistani et al., 2000). Entre os barbeiros, ao menos 4% tinham antígenos para o vírus da hepatite B, 0,6% tinham antígenos para a hepatite C e 10% estavam contaminados pela hepatite C (Turkistani et al., 2000). Num outro estudo de 1998, 23% dos barbeiros possuíam cortes abertos nas mãos, 21% utilizavam a mesma lâmina para mais de um corte e 82% jogavam ao menos uma lâmina usada no chão (aumentando a chance de alguém se cortar durante a peregrinação) (Al-Salama & El-Bushra, 1998).

Como a utilização de drogas intravenosas e a prática de sexo desprotegido não são efetuados devido às proibições religiosas, a hepatite C pode ter seu vetor em transfusões de sangue e por infecções nosocomiais durante a Hajj. Num estudo com 689 peregrinos de 49 países (muitos dos quais endêmicos à hepatite C) que foram admitidos ao menos em 1 dos 6 hospitais de campanha em Meca para o tratamento de condições médicas diversas durante a Hajj de 2005, 5% (32 pessoas) foram atendidas por sinais e sintomas de doenças hepáticas crônicas, e outras 5% (34 pessoas) por sangramento intestinas (Khan et al., 2005).

Febre Hemorrágica de Alkhumra

Esta é uma doença transmitida por um carrapato (Ornithodoros savignyi) que leva a uma encefalite viral por flavivírus, altamente associada à Hajj devido à movimentação de animais entre os peregrinos para alimentação (Charrel et al., 2001, 2007; Zaki, 1997). Os sintomas clínicos da febre de Alkhumra são típicos de encefalites virais, tais sintomas semelhantes a resfriados, gripes e hepatite (100%), manifestações hemorrágicas (55%) e encefalites (20%), sendo que a taxa de mortalidade é superior a 30% (Zaki, 1997). Trinta e sete casos de infecções pelo vírus Alkhumra foram relatados somente em Meca entre os anos de 2001 e 2002 (Charrel, 2001, 2007; Zaki, 1997). Um estudo mostrou que entre 1994 e 1995, a contaminação pelo vírus se deu por meio de feridas na pele, picada de carrapatos ou consumo de leite de camelo não pasteurizado (Charrel et al., 2005).

Febre do Vale do Rift

A febre do Vale do Rift é uma infecção endêmica causada por flebovírus, sendo transmitida por mosquitos. Os sinais e sintomas incluem hepatite e síndrome hepatorrenal e, quando hemorrágica, a taxa de mortalidade é alta. No período de agosto a novembro de 2000, ocorreu na Arábia Saudita uma epidemia da febre do Vale do Rift, provavelmente causada pela importação de gado provindo da África para a Hajj (Madani et al., 2003). Apesar das imposições do governo saudita sobre a importação de gado e a vacinação compulsória, gado infectado foi identificado em 2004 (Davies, 2006).
Além dos animais serem assintomáticos ao vírus, ele pode se disseminar facilmente durante o momento de abate do animal quando o sangue sofre aspersão ou gotejamento por meio do corte da carne, podendo atingir facilmente mucosas e locais de feridas (Davies et al., 2006).

Infecções Respiratórias

As infecções respiratórias são as causas mais comuns de atendimentos nos hospitais durante a Hajj (57% do total de atendimentos), tendo-se a pneumonia como principal doença para internação em 39% de todos os pacientes atendidos (Al-Ghamdi et al., 2003). Os patógenos mais comuns são Haemophilus influenza, Klebsiella pneumoniae eo Streptococcus pneumoniae, tendo-se as infecções bacterianas responsáveis por 30% de todos os casos de internação (El-Sheikh et al., 1998).

Durante a Hajj de 1994, 46 pacientes (72% dos internados) foram diagnosticados com patógenos bacterianos e, desses, 13 (20%) continham Mycobacterium tuberculosis no escarro (Alzeer et al., 1998). Um estudo envolvendo a resposta imune à tuberculose em 357 peregrinos originários de Cingapura antes e 3 meses após a Hajj, 149 eram negativos antes de irem à Hajj. Porém 15 deles (10%) continham anticorpos anti-tuberculose após 3 meses (Wilder-Smith, 2005). Num outro estudo com 761 pacientes com infecções do trato respiratório superior, 152 (20%) estavam contaminados por influenza A e adenovírus (El-Sheikh et al., 1998). Extrapolando esse número e de outros estudos para o total de peregrinos que visitaram Meca em 2003, os pesquisadores chegaram a uma conclusão na qual 400 mil peregrinos tiveram sintomas respiratórios com 24 mil casos potenciais de influenza durante a Hajj (Ahmed et al., 2006; Blakhy et al., 2004).

Doenças Cardiovasculares

As doenças cardiovasculares são a maior causa de morte (43%) durante a Hajj (Ministério da Saúde Saudita, 2005). Muitos pacientes têm ataques cardíacos durante a peregrinação, sendo difícil a chegada do corpo de saúde para tentar a ressuscitação devido à multidão e ao congestionamento de pessoas, de carros e de animais. O calor, o esforço físico, a má alimentação e outros fatores predispõem o organismo a um estresse físico que pode facilmente levar à isquemia cardíaca.

Risco de Traumas

O trauma é a maior causa de morbi-mortalidade nos dias de celebração da Hajj. Num estudo com 713 pacientes que sofreram algum tipo de trauma musculoesquelético durante a Hajj, 248 (35%) tiveram de ser atendidos nas unidades cirúrgicas e de tratamento intensivo (Al-Harthi & Al-Harbi, 2001). Além disso, uma das grandes causas de traumas musculoesqueléticos é o abate de centenas de milhares de animais, o qual é feito em grande parte por leigos. Na Hajj de 2001, 603.393 ovelhas e 6.136 vacas e camelos foram mortos (Memish et al., 2003). Muitas vezes a morte do animal é feita por leigos sem qualquer experiencia prévia e, como resultado, lesões acidentais nas mãos são comuns. Em um estudo de 4 anos com 298 pacientes com lesões nas mãos relacionados ao abate de animais em Meca, 80% dos acidentes foram causadas por facas (Rahman et al., 1999).

Conclusões

A Hajj aglomera, por um curto período, um grande número de pessoas de diversas culturas e diversos países. A participação na peregrinação de Meca possui muitos perigos que podem ser evitados ou não (tabela 2), por isso medidas sanitárias e a educação dos peregrinos são necessárias para evitar a ocorrência de acidentes que, em grande parte, podem ser evitados. As autoridades sauditas têm feito esforços neste sentido, mas nunca são suficientes para atenderem o aumento anual de peregrinos.

Tabela 2. Perigos comunicáveis e não comunicáveis que ocorrem durante a Hajj. Adaptado de Memish et al., 2003.

Agora, diante deste quadro funesto, a sensatez nos leva a refletir sobre o proveito em participar nesta apinhada peregrinação anual, em tão grandes circunstâncias de risco, com o dispêndio de tanto esforço, tempo e dinheiro, apenas em troca de uma demonstração de submissão ao Islã e a Deus. Portanto, seria curioso investigar a força por trás da crença na mente das multidões, que leva tantos fiéis a se submeterem a tal sacrifício e a tamanha exposição ao risco, porém a limitação de espaço aqui nos obriga a deixar este assunto para outra ocasião.

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Octavio da Cunha Botelho

Pesquisador da UFU

http://octaviobotelho.blogspot.com

Gabriel Shimizu Bassi

Coordenador da Sociedade Racionalista da USP

www.racionalistasusp.wordpress.com

Sobre Gabriel Bassi

Natural de São Paulo, Capital. Formado em Fisioterapia pela USP de Ribeirão Preto, faz mestrado em Psicobiologia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP). Faz pesquisas nas áreas de neurologia, imunologia e comportamento animal. Tem interesses (extra-acadêmicos) em pesquisas sobre a evolução cultural, econômica e social de distintos aspectos da religião e da religiosidade nas sociedades.

Publicado em 29/10/2012, em crenças, racionalismo, Religião. Adicione o link aos favoritos. Comentários desativados em A Peregrinação Islâmica e os Problemas à Saúde Consequentes da Aglomeração.

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