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Política educacional: mitos e mentiras

Por Otaviano Helene

Muitas das decisões políticas brasileiras são justificadas, junto à população, com base em mitos que parecem reais ou mentiras que parecem verdades. Vamos ver alguns deles relacionados à educação.


Mitos da educação básica

Há um mito que afeta não apenas a educação, mas também outros setores de interesse coletivo. Esse mito pode ser resumido na frase “o problema não é falta de recursos, mas, sim, falta de gestão”. Esse mito parece real, pois qualquer que seja a atividade, seja ela executada pelo setor público ou privado, é sempre possível encontrar alguma parte do todo que é ou parece mal gerida. Entretanto, não é com base nas exceções ou em casos especiais e particulares que se devem construir as políticas públicas, mas sim com o que acontece no setor como um todo. No caso da educação básica, é evidente que o problema é falta de recurso, pois o investimento por mês e por estudante no setor público é pouco superior a R$ 200 (valor estimado de 2012 com base no Fundeb). É, portanto, um absurdo dizer que não há problemas de recursos. E os principais repetidores daquela frase fazem parte do grupo econômico cujos jovens e crianças frequentam escolas com investimentos várias vezes superiores àquele valor e jamais aceitariam colocá-los em escolas de duzentos reais mensais.

 Quando a falta de recursos é demonstrada, aparece outro mito: “apesar dos recursos limitados, é possível ter boas escolas, como mostram alguns exemplos”. De fato, às vezes surge alguma escola pública sem nenhuma característica especial (como ser uma escola técnica, um colégio militar ou um colégio de aplicação, por exemplo), que tem bons indicadores. Isso prova o que é afirmado acima? Certamente, não.

não é com base nas exceções ou em casos especiais e particulares que se devem construir as políticas públicas, mas sim com o que acontece no setor como um todo

 O Brasil tem perto de 200 mil estabelecimentos públicos de educação básica com uma característica média. E aquelas 200 mil escolas se distribuem em torno dessa média, até mesmo de uma forma bastante heterogênea, por causa tanto da variedade de vínculos institucionais que elas têm como da heterogeneidade dos municípios e estados. Assim, se a média é ruim, encontraremos um enorme número de escolas que podem ser classificadas como tal, ruins; mas encontraremos, também, muitas que devem ser classificadas como péssimas e outras como aceitáveis. Algumas, ainda, estarão abaixo do que poderíamos considerar como péssimas, pois podem apresentar, por fatores aleatórios, professores desmotivados e em quantidade insuficiente, estudantes despreparados e com enormes dificuldades materiais, problemas estruturais, absoluta falta de recursos, diretor desinteressado etc. Eventualmente, entre as cerca de 200 mil escolas, encontraremos algumas que apresentam bom desempenho, também por fatores apenas aleatórios e casuais, por terem, em certo momento, um quadro de professores completo, um corpo de estudantes que, também casualmente, tenham as necessárias condições de estudo, professores com “pique” e não sobrecarregados etc. Portanto, achar algumas escolas que estão distantes da média, seja para um lado, seja para o outro, prova apenas que a média é uma combinação do todo e que as coisas, sejam o que forem, apresentam variações em torno dela.

 Ilustrações de que a existência de boas escolas públicas é fruto da mera flutuação aleatória em torno de uma média ruim são fornecidas pelos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica do Estado de São Paulo, Idesp. Entre as mais de 3500 escolas que oferecem o ensino médio, apenas três apresentaram um desempenho acima de 5,0 em uma escala que vai de zero a dez, sendo o melhor resultado igual a 5,98 e o menor, a 0,33. Está evidente a variação em torno de uma média baixa. E a ilustração de que cada escola pode ter suas características variadas de ano para ano é dada por uma delas, que em determinado ano foi a que apresentou o melhor desempenho e, dois anos depois, caiu para o grupo da terça parte com piores resultados (1). Em resumo, não devemos tomar nossas decisões de políticas públicas com base em exceções, mas, sim, nas regras.

 Entre as mais de 3500 escolas que oferecem o ensino médio, apenas três apresentaram um desempenho acima de 5,0 em uma escala que vai de zero a dez, sendo o melhor resultado igual a 5,98 e o menor, a 0,33

Alguns mitos do ensino superior(2)

 Um dos mitos relativos ao ensino superior é que o investimento para manter um estudante em um curso de graduação em uma instituição pública é maior do que em uma instituição privada, o que concorda com outro mito, de que a administração pública é ineficiente enquanto a privada é eficiente. Aquele mito é construído com base na simples divisão do orçamento de uma instituição pública pelo número de estudantes e comparando com as mensalidades de uma instituição privada. Isso está errado por várias razões.

 Uma instituição pública tem, em seu orçamento, várias despesas não correspondentes à educação (por exemplo, no caso da USP, Unesp e Unicamp, as três universidades estaduais paulistas, incluem em seus orçamentos o pagamento de aposentadorias, enquanto as aposentadorias das instituições privadas são pagas por órgãos previdenciários). Além disso, as instituições públicas têm atividades de pesquisa que raramente existem nas instituições privadas. A comparação do custo de um estudante também não deve ser feita pela média das instituições, sem especificar as áreas de conhecimento, pois há grandes diferenças de valor entre os diferentes cursos.

 Os investimentos necessários para manter um estudante de graduação em um curso que tem laboratórios complexos e em grande quantidade, cujas aulas não podem ter um número excessivamente grande de estudantes e com altas cargas didáticas, podem ser cinco ou mais vezes superiores aos investimentos em um curso onde não há laboratórios e cuja carga horária é bem menor.

 Os investimentos necessários para manter um estudante de graduação em um curso que tem laboratórios complexos e em grande quantidade (…) podem ser cinco ou mais vezes superiores aos investimentos em um curso onde não há laboratórios e cuja carga horária é bem menor.

 Como as instituições privadas concentram seus estudantes em cursos com esse último perfil, comparar a média dos orçamentos público e privado por estudante, sem precisar a área de conhecimento, falseia totalmente a realidade. Quando a comparação é feita área por área, vemos que a realidade é bem diferente do mito. Os custos de um estudante de graduação em um mesmo curso em instituições públicas e privadas são bastante próximos e, não raramente, maior nas instituições privadas do que nas públicas, em especial quando se  consideram cursos de qualidade equivalente (3).

 Aqui vai outro mito. Há uma afirmação bastante divulgada de que as universidades públicas privilegiam os estudantes economicamente mais favorecidos, em detrimento dos menos favorecidos, portanto, contribuindo para aumentar ainda mais as desigualdades e injustiças do país. Isso é verdade? Vamos ver. A seleção econômica é, infelizmente, um processo plenamente presente no sistema educacional brasileiro, do começo ao fim. Entretanto, no ensino superior, essa seleção ocorre não pelo vínculo institucional do estabelecimento, mas, sim, pelo tipo de curso procurado. E em cada tipo de curso, os estudantes mais favorecidos estão nas instituições privadas, não nas públicas.

Os custos de um estudante de graduação em um mesmo curso em instituições públicas e privadas são bastante próximos e, não raramente, maior nas instituições privadas do que nas públicas, em especial quando se  consideram cursos de qualidade equivalente

 Os estudantes vindos dos estratos mais favorecidos da população estão nos cursos mais procurados, de maior prestígio social e que levam a profissões mais bem remuneradas: medicina é o exemplo mais conhecido. Nos cursos que levam a profissões com menores remunerações e que são menos procurados (como os de formação de professores), estão concentrados os estudantes dos segmentos economicamente mais desfavorecidos: a Pedagogia talvez seja o melhor exemplo. E, como regra, em cada um dos cursos – considerando a área de conhecimento e sua qualidade –, a renda média dos estudantes de uma instituição privada é superior à renda média dos estudantes de uma instituição pública.

 Vamos aos números (4): a renda familiar média dos estudantes de Medicina é cerca de três vezes superior à renda média dos estudantes de Pedagogia, ilustrando bem como ocorre a seleção econômica pelo tipo de curso. Mas a renda média dos estudantes de um mesmo curso nas instituições privadas é até 30% superior à dos estudantes nas instituições públicas. Talvez o mecanismo que explique essa última característica seja o seguinte. Dois estudantes, um mais desfavorecido e outro com maior renda, disputam uma vaga em um determinado curso em uma instituição pública e ambos têm insucesso. Ao mais pobre, resta procurar outra instituição pública, tentar no ano seguinte ou procurar outro curso; o mais favorecido poderá se inscrever em uma instituição privada que ofereça aquele curso desejado e pagar por ele.

Os estudantes vindos dos estratos mais favorecidos da população estão nos cursos mais procurados, de maior prestígio social e que levam a profissões mais bem remuneradas: medicina é o exemplo mais conhecido. Nos cursos que levam a profissões com menores remunerações e que são menos procurados (como os de formação de professores), estão concentrados os estudantes dos segmentos economicamente mais desfavorecidos: a Pedagogia talvez seja o melhor exemplo

Outro mito, ainda, é quanto à existência de vagas ociosas nas instituições privadas de ensino superior, usado para justificar a criação do ProUni (5). Se olharmos os últimos dados estatísticos disponíveis, veremos que, para as 2,67 milhões de vagas oferecidas em cursos presenciais pelo setor privado, houve apenas 1,18 milhão de ingressantes (44% de taxa de aproveitamento (6)). Entretanto, as vagas não ocupadas de forma alguma podem ser consideradas como ociosas, pois não correspondem a salas, professores, bibliotecas, prédios, equipamentos, laboratórios etc. sem ocupação. Ao contrário, as instituições privadas sabem, de antemão, que aquelas vagas oferecidas não serão ocupadas e, se são oferecidas, é apenas por uma estratégia de mercado – oferecer todas as possibilidades aos potenciais clientes, mesmo sabendo que haverá interessados apenas para uma fração delas. Isso não é diferente da estratégia de vendas de um supermercado, que satura totalmente o campo de visão dos potenciais compradores, de tal forma que, qualquer que seja a direção em que olharem, encontrarão um produto à venda. Como as vagas oferecidas, aqueles produtos todos não serão vendidos (portanto, a exposição não é ociosa), mas precisam estar lá.

para as 2,67 milhões de vagas oferecidas em cursos presenciais pelo setor privado, houve apenas 1,18 milhão de ingressantes (44% de taxa de aproveitamento)

 O número de vagas muito além daquelas que serão ocupadas, ao invés de indicar ociosidade, revela o enorme poder que as instituições privadas de ensino têm, pois, ainda que venha a haver pressão do MEC para que maus cursos sejam fechados, há uma enorme margem de manobra que lhes permitirão continuar oferecendo vagas e cursos abundantemente. A sobra de vagas, ao invés de denotar uma ociosidade, mostra, de um lado, o uso delas em uma estratégia tipicamente comercial e, de outro, a permissividade dos órgãos públicos em permitirem a criação de instituições, cursos e vagas sem que haja demanda.

 Há muitos outros mitos relativos à educação no Brasil e desconstruí‑los é necessário. Entretanto, mitos são mitos e, a cada um que descontruímos, outro pode ser criado. Portanto, precisamos ficar permanentemente atentos para evitar que eles cresçam, pois os estragos que podem fazer são muitos e duradouros. E o apoio encontrado por muitas políticas danosas ao país e à maior parte da população depende da crença nesses mitos.

Notas:

1) Folha de S. Paulo, 31/3/2012, http://www1.folha.uol.com.br/saber/1069860-notas-das-melhores-escolas-paulistas-despencam-em-exame-veja.shtml, consultada em março/2012.

2) Alguns argumentos usados neste artigo aparecem, também, no artigo “Educação superior: desconstruindo mitos”, escrito em co-autoria com Lighia B. Horodynski-Matsushigue e publicado na edição 466 do Correio da Cidadania, acessível pelo endereço http://www.correiocidadania.com.br/antigo/ed466/pol3.htm (consultado em março/2012).

 3) O artigo “O custo do aluno na universidade”, Jornal da USP, novembro/2010, que pode ser encontrado no endereço http://espaber.uspnet.usp.br/jorusp/?p=12555 (consultado em março/2012), mostra as estimativas do investimento necessário para manter um estudante em um curso de graduação na Universidade de São Paulo em diferentes áreas de conhecimento.

4) Os dados correspondem a informações coletadas pelos questionários que acompanhavam os “provões” e divulgados, em 2004, pelo Inep. Entretanto, como não se estão examinando valores absolutos, mas, sim, relativos, eles devem, com poucas variações, permanecer válidos.

 5) O Programa Universidade para Todos é um programa federal que transfere recursos para instituições privadas de ensino superior que recebem estudantes que preencham certas condições econômicas e escolares.

 6) As instituições federais e estaduais ofereceram 386,9 mil vagas e tiveram 381,1 mil ingressantes, um aproveitamento de quase 99%. Os dados são da Sinopse Estatística da Educação Superior de 2010, Inep/MEC.

 Otaviano Helene, professor no Instituto de Física da USP, foi presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Fonte: Correio da Cidadania

Problemas no Pensamento Pseudocientífico

O texto a seguir foi traduzido (com adaptações) do livro “Why people believe in weird things” do Michael Shermer.

Durante minhas postagens aqui no SRUSP, percebi o quão carente a população é em relação à visão daquilo que denominados de “racionalismo” e “ciencia”. O mais interessante é ver quão passional são os comentários contra aquilo que escrevemos. Uns atacam a pessoa que fez o artigo (tentando desqualificá-la), outras atacam somente aquele argumento que interessa a ela (ou o único que consegue debater), ignorando o resto. Outras vão mais além e tentam, de qualquer maneira, convencê-lo de que está errado, enviando mensagens sem qualquer evidencia e sem realizar qualquer pensamento crítico sobre aquilo que ela mesma escreveu. Às vezes é engraçado.

O brasileiro aparentemente acredita naquilo que mais lhe é conveniente e divulgado, ignorando um raciocínio lógico sobre as provas do caso. Uma discussão filosófica e de boatos se torna mais importante que provas cabais que anulam e eliminam certas filosofias e boatos infundados. Espero que o transcrito abaixo sirva para dar uma iluminada, e assim melhores discussões em nossos comentários.

Anedotas não fazem ciencia

Anedotas – histórias contadas para apoiar uma causa – não faz algo virar ciência. Sem evidências que possam apoiar uma causa a partir de outras fontes, ou provas físicas de algum tipo, dez anedotas não são melhores que uma, e centenas de anedotas não são melhores que dez. Anedotas são ditas por contadores de histórias falsas. O fazendeiro Camargo, de Ribeirão Preto, São Paulo, pode ser uma pessoa honesta, crente, um homem de família que não está sujeito a desilusões. Porém precisamos de evidências físicas da nave alienígena ou dos corpos alienígenas, não somente uma história sobre pousos e abduções às 3 da manhã no meio da plantação de cana-de-açúcar. Histórias sobre como o câncer da sua tia Maristela foi curado assistindo um tal bispo na televisão, tomando um homeopático ou por meio de uma cirurgia espiritual não fazem qualquer sentido. O câncer pode ter entrado em remissão por si próprio, o que acontece com alguns cânceres; ou ela pode ter tido um diagnóstico incompleto; ou, ou, ou… O que precisamos são experimentos controlados, não anedotas. Precisamos de 100 indivíduos com câncer, todos diagnosticados e classificados corretamente. Então precisaremos que 25 desses indivíduos assistam o tal bispo, 25 que assistam Zé do Caixão, 25 que assistam noticiários e 25 indivíduos que não assistam nada. Então precisaremos deduzir a taxa média de remissão para esse tipo de câncer, para então analisar os dados para as diferenças estatisticamente significativas entre os grupos. Se houver diferenças significativas, precisamos de confirmação a partir de outros cientistas que fizeram seus próprios experimentos separados do nosso antes que façamos uma conferência para anunciar a cura do câncer.

A linguagem científica não faz ciência

Acatar um sistema de crenças para colocá-lo do meio da ciência utilizando-se da linguagem científica e de jargões, como em “ciencia da criação”, “ciencia energética” ou “ciencia espírita”, não significa nada sem evidências, testes experimentais e corroborações. Como a ciência possui um grande poder místico em nossa sociedade, aqueles que desejam ganhar respeito, mas não possuem evidência, tentam criar um beco-sem-saída em volta das evidências que faltam, tentando fazê-las soar como algo “científico”. Um clássico exemplo sobre a homeopatia : “A diluição e a sucussão cria nano-estruturas polimórficas análogas a hidratos de clatrato, caixas cristalinas que se assemelham a gelo, onde uma pequena molécula gasosa da tintura original é aprisionada para formar o que agora se denomina Nanobolha” (1). Você pode repetir? Não tenho idéia do que isso significa, mas possui componentes de linguagem científica:  “nano-estruturas polimórficas análogas”, “hidratos de clatratos” e “nanobolha”. Essas frases não significam nada, pois não possuem definições precisas e operacionais. Como você mede a quantidade de moléculas gasosas dentro desses clatratos? Qual a meia-vida de um clatrato (com e sem a molécula gasosa)? Como o clatrato se dissocia para liberar o composto? Etc, etc, etc

Argumentos arrojados não tornam uma afirmação verdadeira

Algo é provavelmente pseudocientífico se afirmações extraordinárias são feitas sobre seu poder e sua veracidade, mas se procurarmos as evidencias de suporte, são tão escarças quanto os dentes em uma galinha. L. Ron Hubbard, por exemplo, inicia seu Dianetics: The Modern Science of Mental Health, com o argumento: “A criação da Dianética é um marco para a humanidade comparável à descoberta do fogo, e superior à invenção da roda e do arco” (em Gardner, 1952, p. 263). O guru da energia sexual Wilhelm Reich chamava sua teoria da Orgonomia de “uma revolução na biologia e na psicologia comparável à Revolução Copernicana” (em Gardner, 1952, p. 259). Eu tenho uma pequena pilha de papéis e cartas provindas de autores obscuros com tais menções sensacionalistas (e as denomino de arquivos da “Teorias do Tudo”). Os cientistas algumas vezes cometem esse erro também, como vimos às 13 horas do dia 23 de março de 1989, quando Stanley Pons e Martin Fleischmann conduziram uma conferência para anunciar ao mundo que conseguiram produzir a fusão nuclear a frio. O excelente trabalho de Gary Taubes sobre o debate da fusão a frio, apropriadamente denominado de Bad Science (Má Ciencia) (1993), examinou profundamente as implicações desse incidente. Talvez 50 anos de estudos sobre a física nuclear podem ser consideradas como erradas por meio de um único experimento, mas não são descartadas até que o experimento tenha sido replicado. A moral da história é que quanto mais extraordinária é a afirmação, mais extraordinariamente terá de ser testada a evidência.

Heresia não é igual a coisa errada

Eles riram de Copérnico. Eles riram de Santos Dummont. Dar risada não significa que você está certo. Wilhelm Reich se comparou a Peer Gynt, o inconvencional gênio descompassado com a sociedade, o qual foi mal entendido e ridicularizado como herege até que provou estar certo: “O que quer que você tenha feito para mim ou fará para mim no futuro, se você me glorifica como um gênio ou me interna numa instituição psiquiátrica, se você me adora como seu salvador ou se me enforca como um espião, mais cedo ou mais tarde a necessidade irá forçá-lo a compreender que eu descobri as leis da convivência” (em Gardner, 1952, p. 259). Reimpresso na edição de janeiro/fevereiro de 1996 do the Journal of Historical Review, o cânone da negação do holocausto, há uma famosa citação do filósofo alemão do século XIX Arthur Schopenhauer, o qual é citado muitas vezes por aqueles que ainda tem dúvidas: “Toda verdade passa por três estágios. A primeira, é ridicularizada. Segunda, ela é violentamente evitada. Terceira, é aceita como auto-evidência.” Porém “toda verdade” não passa por esses estágios. Muitas idéias verdadeiras são aceitas sem ridicularizações ou oposições, violência ou qualquer outra coisa. A teoria de Einstein sobre a relatividade foi amplamente ignorada até 1919 quando evidências experimentais provaram estar certa. A citação de Schopenhauer é somente uma racionalização, um modo elegante daqueles que ridicularizam ou se opõem violentamente o suficiente para dizer: “Viu, eu estou certo.” Nem tanto.

A história está repleta de fábulas de cientistas solitários que trabalham na contramão de seus colegas, desafiando as doutrinas de seu próprio campo de estudo. O trabalho desses cientistas foi provado estar errado, porém não nos lembramos de seus nomes. Para cada Galileu que é apresentado aos instrumentos de tortura por defender uma verdade científica, há milhares (ou dezenas de milhares) desconhecidos cujas “verdades” nunca passaram pela revista de outros cientistas. Não se pode esperar que a comunidade científica teste cada afirmação fantástica que surja, especialmente quando muitas são logicamente inconsistentes. Isso envolve conhecer os cientistas de sua área, a troca informal de dados e idéias com colaboradores, e apresentar formalmente resultados em conferências, artigos, jornais de revisão científica, livros, etc.

Ônus da Prova

Quem quer provar o quê para quem? A pessoa que faz uma afirmação extraordinária possui o ônus de provar aos especialistas e à ampla comunidade que sua crença possui mais validade que qualquer outra crença que alguém já tenha aceito. Você tem de interceder para que sua opinião seja ouvida. Então terá de convocar especialistas de sua área para que a maioria se convença em apoiar sua afirmação sobre aquela afirmação que eles sempre apoiaram. Finalmente, quando você é a maioria, o valor das provas muda para quem é de fora da área e quer desafiá-lo com um afirmação incomum. Os evolucionistas possuíam o ônus da prova por 50 anos após Darwin, mas agora o ônus da prova está com os criacionistas. E são os criacionistas que devem mostrar por que a teoria da evolução está errada e por que o criacionismo está certo, não os evolucionistas que têm de defender a evolução. O ônus da prova está com os homeopatas, pois tem de provar que a homeopatia funciona (e o modo pelo qual funciona), o ônus não está nos cientistas para prová-la verdadeira. O mesmo se vale para o espiritismo. O racional para chegarmos a isso é que uma grande quantidade de evidências prova que a evolução é fato e a homeopatia (1,2) e o espiritismo são falsos. Em outras palavras, já temos evidências suficientes. Você deve convencer os outros da validade da sua evidência. E quando você está fora dessa área de pesquisa, é o preço que se paga, mesmo estando certo ou errado.

Rumores não são a Realidade

Rumores começam com “Li em algum lugar que…” ou “Ouvi de alguém que…”. Antes que o rumor se torne realidade e passe de pessoa para pessoa, os rumores devem ser verdadeiros, mas comumente não são. Porém são ditos para grandes feitos. Há a “história verdadeira” para o maníaco com um gancho prostético que escapou e persegue sua amada pela América. Há a lenda da “loira da estrada”, na qual um motorista dá carona a uma loira que pede carona na estrada, e que ou ela some do carro repentinamente ou provoca um acidente. Pessoas que moram na beira de estradas dizem que essa loira morreu num acidente automobilístico, que estava esperando o noivo que morreu, que foi atropelada por estar desiludida com seu amor, etc. Tais histórias se espalham rapidamente e nunca morrem.

O historiador da ciência da Caltech, Dan Kevles uma vez contou uma história num jantar que eu suspeitava ser apócrifa. Dois estudantes não voltaram de um passeio de esqui em tempo de fazer seus exames finais, pois as atividades do dia anterior se estenderam pela madrugada. Eles disseram ao seu professor que o pneu do carro havia furado, então o professor os deu uma prova substitutiva no dia seguinte. Colocou os estudantes em salas separadas e fez somente duas questões: 1) “Valendo 5 pontos, qual a fórmula química da água?” 2) “Valendo 95 pontos, qual foi o pneu?”. Dois dos convidados do jantar relataram que já ouviram, embora vagamente, essa mesma história. No dia seguinte, repeti a história aos meus estudantes e, antes de chegar à conclusão, três deles falaram subitamente: “Qual pneu?”. Lendas urbanas e rumores persistentes são ubíquos. Eis alguns:

  • Uma mulher acidentalmente matou seu poodle secando-o no microondas
  • Paul McCartney morreu e foi substituído por um sósia
  • O pouso na Lua é falso e foi filmado num estúdio de Hollywood
  • Silvio Santos é careca

O inexplicável não é inexplicável

Muitas pessoas confiam exageradamente para pensar que se elas não podem explicar algo, logo é inexplicável e um mistério verdadeiro da paranormalidade. Um arqueólogo amador declara que como não consegue imaginar como as pirâmides do Egito foram construídas, devem ter sido construídas por alienígenas. Até mesmo aqueles que são (um pouco) mais racionais em, ao menos, pensar que se os especialistas não podem explicar algo, então é inexplicável. Feitos como dobrar colheres, andar no fogo, telepatia ou experiências de quase morte são muitas vezes considerados de natureza paranormal ou mística, pois a maioria das pessoas não pode explicá-los. Quando se expõe o problema a elas, a maioria responde: “Sim, é claro” ou “É óbvio, já que você viu.” Andar no fogo é uma delas. Pessoas especular infinitamente sobre os poderes sobrenaturais sobre a dor e as queimaduras. A explicação mais simples (seguindo-se a Lâmina de Ocam) é a que as partículas finas e macias de carvão na superfície das brasas retém muito pouco calor, e a condutividade do calor provindo desse carvão para o seu pé é muito pobre. Se você ficar longe das brasas, não se queimará (pense num bolo que acabou de sair de um forno em 200º C. O ar, o bolo e a forma estão todos em 200º C, mas somente a forma de metal poderá queimar a sua mão instantaneamente. O ar possui uma capacidade de conduzir calor muito baixa. A capacidade do bolo de conduzir calor é muito maior que a do ar, mas mesmo assim possui baixa condutividade, podemos tocá-lo brevemente sem nos queimar. A forma de metal possui uma capacidade de conter o calor semelhante ao do bolo, mas uma alta condutividade. Se você tocá-lo, mesmo que por pouco tempo, queimar-se-á seriamente. E é por isso que os mágicos não contam seus truques. A maioria de seus truques são, em princípio, relativamente simples (embora muitos sejam de execução extremamente difícil), e conhecer o segredo do truque remove a mágica do truque).

Há muitos mistérios não resolvidos no universo, porém não há problema em admitir: “Ainda não sabemos, mas algum dia, quem sabe, saberemos.” O problema se torna mais confortável quando temos certeza, mesmo que seja prematuro, ao invés de viver com mistérios não resolvidos e inexplicáveis.

Falhas são racionalizáveis

Na ciencia, o valor de achados negativos – falhas – não podem ser superenfatizados. Comumente não se procura a falha, e muitas vezes não se publica. Porém grande parte das vezes as falhas são o modo pelo qual chegamos mais perto da verdade. Cientistas honestos irão admitir prontamente seus erros, mas todos os cientistas são contidos pelo fato de que seus colaboradores irão criticar e ridicularizar o fato. Isso não ocorre com pseudocientistas (casos famosos do espiritismo, por exemplo). Eles ignoram ou racionalizam as falhas, especialmente quando expostos. Se forem pegos no ato falho – o que não ocorre frequentemente – dirão que seus poderes comumente funcionam, mas não sempre. Então quando pressionados a encenar na televisão ou no laboratório, muitas vezes recorrem a trapaças. Se simplesmente falham na encenação, logo possuem uma variedade de explicações criativas: muitos controles em um experimento causam resultados negativos; os poderes não funcionam na presença de céticos; os poderes não funcionam na presença de equipamentos elétricos; os poderes vão e vem; a energia do ambiente não permite, etc. Finalmente afirmam que se os céticos não podem explicar tudo, então deve haver algo paranormal; eles caem na falácia do “o inexplicável não é inexplicável.”

Racionalismo pós-fato

Também conhecido como “post hoc, ergo propter hoc,” literalmente “após isso, logo por causa disso” (ex: o galo canta porque o Sol se levanta. Então o Sol se levanta porque o galo canta). Em seu nível mais basal, é uma forma de superstição. O apostador usa seus sapatos da sorte pois ganhou uma aposta no passado utilizando-os. Mais subjacente, os estudos científicos podem ser presas de falácias. Um estudo de 1993 mostrou que crianças alimentadas no peito possuem QI maiores. Houve muita atenção em qual substância contida no leite materno poderia aumentar a inteligência. Mães que alimentavam seus filhos em mamadeiras se sentiram culpadas. Mas logo os pesquisadores começaram a imaginar se os bebês alimentados no peito foram tratados diferentemente. Talvez as mães que gastaram mais tempo cuidando de seus bebês e com maior vigilância materna era a causa entre as diferenças no QI. Como Hume nos disse, “o fato de que dois eventos dependem um do outro em sequencia não significa que estão conectados causalmente”. Correlação não significa causalidade.

Coincidencia

No mundo paranormal, as coincidências são muitas vezes vistas como profundamente significativas. A “sincronicidade” é então invocada como se alguma força misteriosa estivesse nos bastidores. Mas essa sincronicidade é nada mais que um tipo de contingência – uma conjuntura de dois ou mais eventos sem qualquer planejamento aparente. Quando uma conexão é feita de modo aparentemente impossível, de acordo com nossa intuição e as leis de probabilidade, tendemos a pensar que algo misterioso trabalhou para isso.

Mas a maioria das pessoas possui um entendimento muito pobre sobre as leis da probabilidade. Um apostador venceu 6 vezes consecutivas, então pensa que ele é está numa “maré de sorte” ou “afasta o azar”. Duas pessoas numa sala com trinta pessoas descobrem que possuem a mesma idade, concluindo que algo misterioso trabalhou para isso. Você liga para seu amigo Roberto. O telefone toca e é o próprio Roberto. Você pensa, “Nossa, quais são as chances? Não pode ter sido mera coincidência. Talvez Roberto e eu estamos nos comunicando telepaticamente.” De fato, tais coincidências não são coincidências sob as regras da probabilidade. O apostador previu duas possíveis apostas, uma margem de erro! A probabilidade que duas pessoas numa sala contendo trinta terem a mesma idade é de 71%. E você já se esqueceu quantas vezes Roberto não atendeu o telefone, ou que alguém também tenha ligado para ele, ou que Roberto atendeu a ligação, mas você não estava querendo falar com ele, e por aí vai. Assim como o psicólogo B.F. Skinner provou em seu laboratório, a mente humana procura o relacionamento entre eventos, encontrando-os mesmo quando não estão presentes. As máquinas caça-níquel são baseadas nos princípios de Skinner de reforço intermitente. Um pessoa irracional, como um rato, somente precisará de uma recompensa ocasional (algumas moedas) para continuar a puxar a alavanca. A mente faz o resto.

Representatividade

Como Aristóteles disse, “A soma das coincidências se equivale à certeza.” Esquecemos a maioria das coincidências insignificantes, e nos lembramos do significado de outras. Nossa tendencia de relembrar acertos e ignorar erros é a panaceia de psíquicos, profetas, bispos, adivinhos e os que fazem o (seu) horóscopo, criando centenas de predições a cada 1º de janeiro. Essas pessoas primeiramente aumentam a probabilidade de acerto incluindo previsões mais generalizadas que acontecem todo o ano com qualquer indivíduo como “ [o ator de novela] irá ter problemas de saúde” ou “Vejo problemas para a presidente da república” ou “cuidado com a inveja dos outros” ou “Não faça nada que possa se arrepender”, etc (para maiores (e cômicos) exemplos, pegue um jornal, abra na parte de horóscopos – leia). Então, no próximo 1º de janeiro, publicam os acertos e ignoram os erros, esperando que ninguém se lembre de investigar o que foi dito anteriormente.

Precisamos sempre nos lembrar o grande contexto no qual um evento aparentemente ocorre, e devemos sempre analisar eventos incomuns para sua representatividade na sua classe fenomenológica. No caso do “Triângulo das Bermudas,” uma área do Oceano Atlântico onde navios e aviões “desaparecem misteriosamente”, há a afirmação de que algo estranho ou alienígenas estão por trás disso. Como há muitos corredores de navios e aviões que passam pelo Triângulo das Bermudas que nas áreas em volta, acidentes e (logo) desaparecimentos ocorrem com maior frequencia. Hoje se sabe que a taxa de acidentes é atualmente mais baixa no Triângulo das Bermudas que nas áreas em volta. Talvez essa área deva ser denominada de “Não-Triângulo das Bermudas” (ver Kusche, 1975, para uma explicação completa desse mistério). Similarmente, investigando-se casas assombradas, devemos primeiramente ter uma linha de base dos ruídos, rangidos e outros eventos antes de dizermos que algo é sobrenatural (e, logo, misterioso). Sussuros e batidas na parede podem ser o sistema de encanamento, estalos e rangidos à noite podem ser a contração de materias (madeira, metal) pela diminuição da temperatura durante a madrugada, sons de arranhaduras no porão podem ser de ratos.

Referencia

Kusche L. The Bermuda Triangle Mystery – Solved. New York: Warner, 1975.

Gardner M. Fads and Fallacies in the Name of Science. New York: Dover, 1952.

Shermer M. Why People Believe in Weird Things. New York: Hnery Holy & Co., 2002.

Como ler artigos científicos: parte 1

Eis algumas sugestões para ler um artigo científico cujo tema você não domina. Espero que o ajude a entender a falácia por trás de muitos tendenciosos… A parte 2 virá com mais exemplos que encontrei em alguns artigos de espiritismo, homeopatia, acupuntura, etc…

1. Olhada rápida

Olhe o artigo rapidamente. Somente título e figuras. Isso levará alguns minutos. Não tente entendê-lo ainda, mas só ter uma visão geral.

2. Vocabulário

Leia o artigo rapidamente, palavra por palavra, linha por linha. Destaque e sublinhe cada palavra e frase que você não tenha entendido. Não se preocupe se há muitas palavras destacadas: você ainda não quer entender o artigo

Agora você tem de responder às questões de vocabulário e os conceitos do artigo. Dependendo do tipo de questão, você pode:

A: Olhe palavras e frases simples.

  • Muitas vezes as questões são simplesmente de vocabulário – o que significa um lateral malleolus, ou um elevated plus maze. Um dicionário de Biologia (Alberts) ou Medicina (Rey) é um bom lugar para encontrar essas definições. Um livro de Fisiologia (Guyton) ou Anatomia (Dangelo e Fattini) pode ser outra boa fonte, pois dá explicações mais completas. Seu dicionário escolar (Aurélio, Houaiss, Michaelis, etc) não é uma boa fonte, pois as definições não são precisas o suficiente ou pode não refletir o modo pelo qual os cientistas utilizam uma palavra (ex: “eficiência” possui uma definição comum, mas sua definição na Física é muito mais restrita).

B:Tenha um conhecimento do contexto utilizado.

  • Muitas palavras utilizadas para descrever os procedimentos de um experimento podem ser entendidos a partir de seu contexto, e podem ser muito específicos ao artigo que se lê. Exemplos são “drug-free control group” num experimento com ratos ou “carotene extraction procedure” em experimentos bioquímicos. Você deverá ter cuidado quando ter a certeza que entendeu a palavra e seu conceito, pois pode não significar aquilo que você pensa.

C: Destaque a frase que pertença a um dos conceitos maiores do artigo.

  • Essa frase é mais que uma questão de vocabulário. Por exemplo, um artigo sobre dieta e câncer pode se referir a “risk reduction”, significando que você precisará entender seu contexto mais aprofundadamente.

3. Compreensão, seção por seção

Tente lidar com todas a palavras e frases, embora uns poucos termos técnicos em si da seção de Materiais e Métodos (Methods) ainda possa sobrar. Agora volte e leia o artigo inteiro, seção por seção, para compreensão.

Em Introdução,

  • Note como o contexto é exposto. O autor deve resumir e comentar pesquisas anteriores, e você deverá distinguir entre essas pesquisas anteriores e a pesquisa que será feita.

  • Qual a grande questão apresentada aqui?
  • Qual a hipótese que o artigo faz, e os modos pelos quais essa hipótese será testada?

Em Materiais e Métodos (Methods)

  • Tente criar uma imagem clara do que será feito em cada fase.

  • O que foi mensurado naquele momento?

  • É uma boa idéia sublinhar e/ou delinear os procedimentos e instrumentos.

  • Mantenha anotada suas questões: algumas delas podem ter uma caráter simplesmente técnico, mas outras podem apontar considerações mais fundamentais que serão utilizadas para as reflexões e críticas.

Em Resultados (Results)

  • Olhe cuidadosamente as figuras e tabelas, pois são o coração do artigo. Um cientista irá muitas vezes ler as figuras e tabelas antes de decidir se vale a pena ler o resto do artigo!

  • O que significa “entender” uma figura? Você entende uma figura quando você consegue redesenhá-lo e explicá-lo na língua do artigo.

Em Discussão (Discussion)

  • há o conteúdo das conclusões que o autor quis descrever a partir dos dados.
  • Em alguns artigos, a sessão Discussão possui muitas interpretações e é muito importante. De qualquer modo é aqui que o autor faz a reflexão de seu trabalho em si e de sua comparação com outros achados.

4. Reflexão e Crítica

  • Após você entender o artigo e conseguir resumi-lo, então podemos retornar às questões mais amplas e tirar suas próprias conclusões. É bem útil manter o foco de suas questões à medida que avançamos, retornando ao artigo para ver se elas foram respondidas.

  • Muitas vezes questões simples podem conter as sementes de pensamentos mais profundos sobre o trabalho – por exemplo, “Por que os autores utilizaram um questionário ao final do mês para obter dados da tensão pré-mentrual?” ou “Será que a quantidade de animais – ou indivíduos – utilizados foi o suficiente?”

  • Avalie a qualidade do artigo. Vale a pena confiar nos dados? Quanto dessa informação é valida para a ciência e para você, consumidor?

Nos vemos na parte 2