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Ateísmo e Racionalismo: um debate com Fábio Marton

A Sociedade Racionalista USP tem orgulho em apresentar:

 

“Ímpio”, do jornalista (e ateu) Fábio Marton é a história de uma vida religiosa, de sua peregrinação pelo evangelho e a libertação final (no caso, expulsou outros tipos de “incômodos”).

Acostumado a grandes reportagens, o autor narra de forma envolvente e bem-humorada seus traumas e ousadias, das questões familiares até o pensamento cético que, de certa forma o tranquilizou, ao mesmo tempo que gerou maus olhados por parte de outros. –Folha.

Todos convidados! Entrada franca.

Possibilianismo (?)

Apareceu isso no site da Newscientist hoje. Notei que tem surgido uns defensores do “meio-termo” no debate entre religião e ciência, e que em sua maioria são cientistas. Esse cara, David Eagleman, é um neurocientista no Baylor College of Medicine e que não se considera ateu. Basicamente o argumento dele pode ser resumido da seguinte forma:

(a) A ciência deve estar sempre aberta a investigar toda e qualquer possibilidade;

(b) As religiões apresentam várias possibilidades;

(c) O ateísmo nega as possibilidades abertas pela religião.

Logo, cientistas devem estar abertos a essas possibilidades e não se considerar ateus.

O meu problema é com (b). Eu não consigo encontrar nenhuma possibilidade interessante o suficiente na religião pra considerar digna de estudo científico. Ele mesmo não cita nenhuma. Ele menciona possibilidades não religiosas como essas:

What if we were planted here by aliens? What if there are civilisations in spatial dimensions seven through nine? What if we are nodes in a vast, cosmic, computational device? Wouldn’t that make their debates seem limited, in retrospect?

O que que essas coisas tem a ver com religião? São questões válidas, bem diferente das opções religiosas, como deuses com aparência humana criando pessoas do barro, cobras falantes, milagres, revelações, etc. Não acho que cientistas ateus desconsiderem possibilidades quando elas são realmente possibilidades. Eles simplesmente não ficam perdendo tempo com asneira.

Update: Deixa eu clarificar a minha posição pois acho que não ficou bem clara. A ciência se ocupa de investigar hipóteses que sejam, pelo menos em princípio, falsificáveis. As religiões oferecem uma mistura de asserções não-falsificáveis com algumas falsificáveis. Coisas como a existência ou não de um deus imaterial ou de um dragão invisível não são falsificáveis por definição. As poucas que poderiam ser falsificáveis como curas milagrosas, relatos da criação do mundo e da espécie humana, poder da reza, materialização de espíritos, etc, já foram desbancadas há muito tempo. Claro, as religiões podem continuar inventando novas hipóteses, e na medida que elas forem falsificáveis serão naturalmente alvo da ciência. Porém eu acho muito difícil que as religiões que existem hoje consigam gerar qualquer hipótese falsificável interessante. A ciência é cumulativa, e conforme ela avança as hipóteses vão se tornando cada vez mais complexas. Como podemos esperar que alguém elabore alguma hipótese interessante baseado apenas nos conhecimentos de tribos analfabetas da idade do bronze?