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Como argumentar na Internet

 Fonte: Blog Measure of Doubt

Autora: Julia Galef

Tradução: Jonathan Batista (John)

Tradução: Você não está vindo para a cama? / Eu não posso. Isso é importante. / O quê? / Alguém está errado na internet!

É muito difícil arranjar alguém para ouvir seus argumentos em um debate, dada a forma como as pessoas naturalmente são apegadas às suas ideias e formas de pensar. Mas isso torna-se muito mais difícil quando você dispara o lado emocional da pessoa fazendo ela sentir que você está atacando-a. Assim a pessoa coloca-se automaticamente no modo “me defendendo” (ou pior, no modo “ataque sarcástico”) ao invés do modo “ouvir razoavelmente”.

Infelizmente, debates online são cheios de armadilhas emocionais, em parte porque o tom nem sempre é fácil de ser detectado quando a palavra está escrita e assim mesmo comentários neutros podem soar como arrogantes ou presunçosos. Também porque não ter que dizer algo cara-a-cara parece trazer a criança imatura de dentro de adultos crescidos.

Mas no lado positivo temos que debates online tem a vantagem que você tem tempo para pensar na resposta antes de comentar ou enviar o e-mail. Abaixo, eu mostro meu processo de revisão dos meus textos para reduzir o risco de fazer alguém se sentir raiva ou defensiva e assim aumentar as chances de que o que eu disse seja realmente considerado.

Rascunho 1. (Meu primeiro impulso é dizer): “Você é um idiota, você está ignorando que…”

Dã. Devo me livrar do insulto.

Rascunho 2. “Você está ignorando…”

Eu deveria deixar claro que eu estou atacando a ideia, não a pessoa.

Rascunho 3. “Seu argumento está ignorando…”

Isso ainda pode ser impessoalizado. Usando a palavra ‘seu’ eu estou encorajando a pessoa a identificar o argumento com si mesma, o que pode desencadear uma reação defensiva quando eu ataco o argumento. Isso é exatamente o oposto do que eu quero fazer.

Rascunho 4. “Esse argumento esta ignorando…”

Quase perfeito. A única melhoria que pode ser feita essa na palavra ‘ignorando’, que pode implicar num desrespeito intencional e soa como uma acusação. Em vez disso é melhor utilizar algo neutro:

Rascunho 5. “Esse argumento não está levando em conta que…”
Pronto. Claro, ainda existem chances de que eu ainda não convença ninguém, porém pelo menos eu dei a melhor chance possível; eu fiz a minha parte para ajudar a manter a internet civilizada. Ou pelo menos um pouquinho menos selvagem!

Comentário do tradutor: Acho que esse tipo de reflexão deve sempre estar ativa para um racionalista (e para as pessoas em geral), pois não importa se nós estamos certos ou não, se a forma como expressamos esse conhecimento é falha. Muitas vezes vemos que acabamos por nos expressar de forma arrogante, já duvidando do outro ou ainda não respeitando o direito dele de pensar diferente. Vale a pena parar para pensar nesse ponto de vista.

Consulta Pública Sobre Programas Religiosos

Meios de comunicação de qualidade são um ingrediente essencial para a manutenção da democracia e para o desenvolvimento cultural e social de um país. Umas das maneiras de se atingir esses objetivos é através de uma rede pública independente de comunicação que por ser livre de interesses financeiros e partidários pode oferecer uma programação educacional e não-tendenciosa. Em 2007 o governo brasileiro deu um importante passo nessa direção ao criar a Empresa Brasil de Comunicação. Tal medida coloca o Brasil em linha com o que acontece em países de forte tradição jornalística como a Grã-Bretanha, lugar da respeitável BBC (British Broadcasting Corporation).
No entanto, conseguir atingir o alto padrão britânico é algo que irá demandar bastante dos nossos políticos e da sociedade. Exatamente por isso participar da consulta pública abaixo é de fundamental importância:

O Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação ( EBC ) abriu nesta sexta-feira (06/08/2010) consulta pública para recolher contribuições sobre a política de produção e distribuição de conteúdos de cunho religioso pelos veículos da EBC.

Atualmente, a TV Brasil exibe o programa “Reencontro”, produzido por  igreja de orientação evangélica, aos sábados; e os programas “A Santa  Missa” e “Palavras de Vida”, de orientação católica, aos domingos. Já a Rádio Nacional de Brasília transmite aos domingos  celebração de missa de orientação católica. Tais programas são originários das emissoras que foram absorvidas pela EBC após a sua criação e a aprovação da Lei nº 11.652/2008, que regulamenta o Sistema Público de Comunicação.

A consulta foi motivada por reclamação de telespectadores enviada à Ouvidoria da empresa, tendo resultado em um parecer da Câmara de Educação, Cultura, Ciência e Meio Ambiente do Conselho Curador, que indicou a substituição dos atuais programas por um programa sobre o fenômeno da religiosidade no Brasil, “de um ponto de vista plural, assegurada a participação a todas as confissões religiosas”.

A consulta ficará aberta até o dia 04/10/2010. Participe manifestando-se a favor do parecer e contra a veiculação de programas religiosos nos canais de comunicação públicos. A separação igreja-estado agradece!